sexta-feira, outubro 06, 2006


Polícia identifica ladrão de obras raras
MARIO CESAR CARVALHOda Folha de S.Paulo
A Polícia Civil de São Paulo acredita ter identificado um dos ladrões de obras raras da Biblioteca Mário de Andrade e de outros arquivos. Todos os indícios apontam para o bibliotecário Ricardo Pereira Machado, que estagiou na Mário de Andrade entre 2002 e 2003 e no ano seguinte foi preso --e depois liberado-- pelo furto de obras raras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.Machado foi apontado por duas fontes diferentes: uma pessoa que foi presa anteontem com obras raras e um colecionador que comprou a segunda edição de "O Guarany", de José de Alencar, num leilão e descobriu depois que a obra era da biblioteca. O livro, editado em 1863 e vendido por R$ 5.760, integrava um lote entregue por Machado à Babel Livros, do Rio. Foi leiloado em março.O site da Babel informava que a página de rosto (que tinha o carimbo da Mário de Andrade) fora cortada --um indício de furto. O carimbo da biblioteca na página 100 havia sido raspado, mas havia uma falha: o número de registro da biblioteca fora mantido."Todos as frentes apontam para Ricardo, mas é preciso investigar se ele furtou ou se pegou as obras de alguém", diz o delegado Fernando Pires.O preso, Erivaldo Tadeu dos Santos Nunes, é ex-cunhado do responsável pelo restauro na biblioteca, José Camilo dos Santos. Funcionário do local há 25 anos, Santos disse que restaurava as obras que tinham sido entregues por Machado.A polícia suspeita que Machado e o restaurador possam ter ligação com o furto que a biblioteca notou em setembro. Sumiram um livro de orações de 1501, 58 gravuras de Rugendas e 42 de Debret, entre outros. A Folha não conseguiu localizar Machado.A Justiça recusou o pedido de prisão do restaurador e de Machado por considerar que esse tipo de punição não pode ser aplicada em casos de furto. "Eles são tratados como batedores de carteira, mas não são. Trata-se de uma quadrilha que atua em todo o Brasil", disse Luís Francisco Carvalho Filho, diretor da biblioteca.A polícia encontrou com Nunes uma gravura da Mário de Andrade. Trata-se de uma peça do álbum "10 Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi", impresso em 1930 no Rio. A raridade da obra deve-se ao fato de ser considerada o primeiro álbum de gravura moderna impresso no país, segundo Rizio Bruno Sant'Ana, curador de obras raras da biblioteca.O preso tinha também um manuscrito de 1791 de Dona Maria I (1734-1816), conhecida como a "rainha louca", que foi furtado do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Tinha também gravuras raras. Uma única gravura do livro "Collection de Fleurs et de Fruits", de Jean-Louis Prévost (1745-1810), foi avaliada em US$ 6 mil (R$ 12.960). Prévost é valioso porque seu livro é considerado um dos mais bonitos já editados sobre botânica.LeilãoA partir do livro de José de Alencar, devolvido à Mário de Andrade pelo colecionador, a polícia descobriu o possível canal que os ladrões usavam para vender as obras: a Babel Livros.Carvalho Filho conferiu quatro leilões realizados neste ano e descobriu que a Babel vendeu 234 lotes entregues por Machado. Entre eles havia 17 livros com as mesmas características de obras que estão desaparecidas da Mário de Andrade. Os leilões renderam R$ 87.310,00 a Machado.A Babel recusou-se inicialmente a entregar o nome dos compradores dos livros idênticos aos títulos que sumiram do acervo da Mário de Andrade, segundo o diretor da biblioteca. Alegou que seria violação da privacidade dos compradores. "Estamos diante de bens públicos e eles estão falando em privacidade", disse Carvalho Filho. O delegado afirmou que os empresários já mudaram de idéia e devem entregar a lista amigavelmente.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Limites de atuaçao entre o estagiario e o Profissional da Informação

Sobre estagio

Os estágios têm valor pedagógico inquestionável, mas apenas sob determinadas condições, sem as quais o estudante pode até ser prejudicado, ainda que sem necessariamente perceber o prejuízo. Essas condições estão, principalmente, na natureza do trabalho a ser realizado, no local onde ocorrerá e no horário a ser cumprido.Quase sempre são condições fixadas por quem oferece o estágio, com o que só resta ao candidato aceitá-las ou não. E, às vezes, só depois de iniciar a experiência, pois muitos estagiários só sabem de suas atividades depois de iniciá-las. A NATUREZA DO TRABALHO O objetivo do estágio é aprender sobre a realidade da profissão escolhida. Muitos empregadores inescrupulosos, porém, contratam estagiários não para oferecer-lhes esse aprendizado, mas simplesmente como mão-de-obra barateada, pelo fato de que na sua contratação não incidem encargos trabalhistas e previdenciários, exceto um seguro de vida. Com isso, há estágios cujas atividades nada têm a ver com o objetivo de aprendizado na área de estudo. Essa distorção se manifesta de várias formas, como no caso de estagiários que ficam a tirar cópias ou dos contratados para levar e protocolar documentos em repartições públicas. Às vezes, as tarefas podem ser simples, como as de pesquisar fontes, levantar dados, realizar cálculos e preparar gráficos, mas seu propósito pedagógico é preservado se o estagiário acompanha a utilização de seu trabalho na fase analítica desenvolvida por seu chefe ou supervisor e é informado do que aí se passa. Enfim, se dialoga com o profissional que usa o seu trabalho, aprendendo algo do que ele faz. O LOCALDependendo da distância entre trabalho, residência e escola, em particular numa cidade como São Paulo, o tempo gasto no deslocamento entre esses três pontos onde se dá o dia-a-dia do estagiário pode tornar contraproducente sua experiência como tal. Entre outras conseqüências, pode prejudicar o tempo destinado ao estudo fora da escola, levar a atrasos na chegada a ela, levar a refeições apressadas e/ou de baixa qualidade, além de todo o cansaço e estresse que vêm com os deslocamentos que tomam muito tempo.O HORÁRIOÉ comum a exigência de uma jornada de oito horas por dia, a qual, para os trabalhadores não estagiários, é conhecida como de “tempo integral”". Ora, como compatibilizar essas oito horas de trabalho com mais quatro horas diárias na escola, mais o tempo de deslocamento entre casa, estágio e escola, e o horário indispensável para estudar e aprender o material do curso, de forma a alcançar nele um bom desempenho? E para o lazer, nada?Como compatibilizar tudo isso é dificílimo, alguma coisa acaba cedendo e, freqüentemente, é o tempo de estudo fora da escola. Nessas condições, o aproveitamento escolar usualmente é fraco, voltado apenas para passar de ano, e o estagiário se ilude ao imaginar que o que interessa é apenas o diploma, valorizando mais o estágio que o curso. Essa é uma visão míope, pois, em geral, o bom aproveitamento abre maiores perspectivas para o desenvolvimento na carreira, como nos casos em que é valorizado pelos empregadores. Ou, quando, já formado, o profissional busca a pós-graduação e o aproveitamento passado é um critério de seleção adotado pela instituição de ensino.


O que diz a legislação sobre o estágio

Muitas vezes as organizações sem conhecer a legislação sobre o exercício da profissão do bibliotecário, contratam estagiários para levar avante a administração e o gerenciamento de unidades de informação, desvirtuando totalmente a finalidade do estágio, que é uma oportunidade do estudante podercomplementar seus conhecimentos teóricos com experiências práticas dentro de uma instituição.
O que fazer para não cair nessa armadilha e servir de mão de obra barata???...

DENUNCIAR AO CRB 8... por telefone, email, fax...

Quais serão as medidas que o CRB 8 tomará?
Em primeiro lugar, o estagiário não deve ficar com medo de denunciar, por medo de perder o emprego, pois a denuncia é sigilosa ..

Resolução CFB 033/ 2001, dispõe sobre o processo fiscalizatorio...

O CRB 8 tem obtido vitórias em instituições que burlam a Lei, sobretudo quando na biblioteca não há um profissional com o devido registro do CRB 8 da região.

E o CRB 8 continuará atento para a fiscalização de todo o tipo de ilícito no âmbito das instituições que possuam bibliotecas e unidades de informação, pois acima de tudo – e essa é a luta permanente de toda a nossa categoria - é a não banalização de nossa profissão, não nos permitir cair em vala comum
Temos que confiar que o CRB desenvolve e promove açóes para a construção de um pais mais justo, buscando garantir a prestação de serviços de qualidade a comunidade
Se todos nós nos articularmos, tornaremos um poderoso instrumento de transformação de um pais mais ético e desenvolvido.

segunda-feira, outubro 02, 2006

10 mandamentos para futuros bibliotecários



A la pregunta de uno de sus alumnos sobre en qué aspectos de la profesión centrarse, a cuáles poner más atención o dedicar más esfuerzos para conseguir un buen trabajo (interesante, bien remunerado, con proyección profesional…), Michael Stephens ha elaborado una lista de diez “mandamientos” para futuros bibliotecarios, muchos de los cuales giran entorno a la tan de moda ahora Library 2.0:
Haz preguntas en las entrevistas de trabajo sobre los proyectos que se están llevando a cabo en la biblioteca, en especial los tecnológicos.
Presta atención a lo que tu entrevistador dice de sus usuarios. ¿Aburridos, desprecupados, molestos por su presencia en la biblioteca? ¡Huye de un sitio así!
Lee cuanto puedas y empápate todo lo que puedas de cualquier tema sobre cultura, música, etc… Te ayudará a conocer a tus usuarios, sus intereses…
Aprende sobre propiedad intelectual, licencias Creative Commons e interésate por cómo estas últimas Van a influir en una cultura en la que la creación de contenidos estará al alcance de casi todos.
Utiliza las herramientas de la web 2.0, no porque estén de moda, o porque lo digan los gurús y bloggers de moda, si no porque te ayudarán a estar al día en la profesión. Suscríbete a canales RSS especializados en ByD, y anímate a participar en la blogosfera, escribiendo tu propio blog o comentando en los de otros.
Juega limpio con tus compañeros en el trabajo, en jornadas profesionales, ¡colabora! No vas a entrar en un concurso, no se trata de que tú seas el centro de atención, todo gira en torno al usuario, se trata de crear Buenos servicios para el beneficio de los usuarios.
Sé profesional, pero no dejes de lado la diversión, la curiosidad, el juego. Organiza tu tiempo y tu trabajo para poder cumplir con todo aquello con lo que te comprometas
Evita la “lujuria tecnológica”. Adorar a la tecnología se convierte en una trampa, no dejes que se convierta en un dios al que adorar.
Escucha a los bibliotecarios que ya tienen experiencia. Saben de qué hablan. Aprende de cada una de las conversaciones que mantengas con ellos (¡ojo bibliotecarios experimentados! ¡Escuchad a los recién llegados! Una escucha bidireccional es la garantía para superar las diferencias generacionales que se encuentran en muchas organizaciones)
Ten siempre una visión global. No pongas en marcha 5 nuevos servicios basados en las tecnologías más de moda sin planificar cómo mantenerlos en el futuro. Preocúpate por los presupuestos, el marketing… construye servicios, colecciones y bibliotecas sostenibles, útiles para el usuario.
Muchos de estos consejos pueden parecer obvios, algunos son más acertados que otros, ¿quizás más fáciles de seguir al otro lado del charco?, no obstante pueden ser un buen punto de partida para reflexionar sobre algunos temas e ideas interesantes de los que quizás no eres muy consciente nada más “salir del cascarón”.¿Qué pensáis?

sábado, setembro 30, 2006

1,2,3, Agora é a sua vez: Relato de uma experiência

Kátia Tavares1Lígia Rodrigues2Susana Dantas3



Resumo

Discute o papel social e político das Bibliotecas Populares, através de um projeto de dinamização e recreação infantil desenvolvido na Biblioteca Pública do Estado na seção infanto-juvenil, no período de férias escolares, com o objetivo de aumentar a freqüência naquele período. Narra as atividades realizadas como resgate cultural através de oficinas artisticas de música, teatro e pintura, criação de uma agenda cultural dentre outras. Reflete sobre a função social da Biblioteca Pública e sua 'transformação" para escolar. Palavras-chaves
Biblioteca Pública, Biblioteca escolar, Leitura na biblioteca, recreação infantil.

1 INTRODUÇÃO
Um projeto de recreação em uma Biblioteca Popular geralmente tem a finalidade de contribuir para o “crescimento“ de seus usuários e da comunidade, considerando-se que a Biblioteca geralmente é “amparada”
por um discurso que a coloca como depositária da cultura e o Bibliotecário como animador cultural. “Ainda se
fala muito em animação cultural, em animador cultural, entre nós na prática essas expressões remontam a uma época em que o objetivo dessa “animação” era levar as pessoas a esquecer as “ agruras do cotidiano”, de modo a deixá-las num estado físico e espiritual mais conveniente para o trabalho do dia seguinte, da
semana seguinte” ( COELHO, p.99.1986). Discutir atividades de leitura em Biblioteca Popular e comunidades carentes é, antes de tudo, defender um discurso político, pois a atual organização política e social brasileira se divide em duas classes
dos dominantes e dominados, onde segundo SILVA “a percepção crítica do nosso sistema econômico e
político somada “a compreensão objetiva da nossa organização levaram-me a caracterizar o ato de ler como 1Bacharel em Biblioteconomia pela UFPE 2Bacharel em Biblioteconomia pela UFPE 3Aluna da Graduação em Biblioteconomia na UFPE sendo um ato perigoso” (p.163) . Se fosse “dado” a todos os brasileiros o direito a ler criticamente livros4que expressassem e questionassem as relações econômicas, talvez a realidade social fosse outra, quanto maior as
dificuldades de acesso a estes instrumentos “elucidadores”, menor será a possibilidade de mudanças reais na
estrutura social existente, ou seja, esse caos em que encontra-se a educação no Brasil tem um propósito claro
e bem definido pela elite dominante. Talvez, este fato explique o discurso simplista dos programas de governo com slogans do tipo “quem lê viaja”, com Rute Rocha dizendo que “vamos fazer do Brasil um País de leitores”, resumindo os
“problemas” de acesso a leitura a compras de milhões de livros. “Dessa forma fica fácil imaginar os porquês de existirem, em nosso país, mais de trinta milhões de analfabetos (..) e ausência de boas bibliotecas escolares e públicas, com acervos e serviços condignos, a altura
das necessidades da maioria da população” (SILVA, 1987, p.164)
Talvez em decorrência dessa “política” e a desestruturação (para não dizer ausência) de bibliotecas escolares, não haja uma identificação popular com as bibliotecas populares, uma instituição que, deveria ser
instrumento de conquistas sociais. Afinal, “atividade cultural, instiga, perturba, incomoda, e por isso, não se espera que o espaço onde ela se desenvolva seja lugar exclusivamente de lazer e procurado por multidões.” ( MILANESI, 1997) Em decorrência desse processo, as comunidades carentes, os analfabetos, crianças que ainda não são alfabetizadas, não vislumbram na biblioteca pública um espaço popular para interesses políticos como
reuniões de moradores, espaço para recreação infantil. Pela sua total descaracterização de popular para
restritamente escolar. Como defende MARTINS, (1994, p.35) “Enquanto permanecemos isolados na cultura letrada, não poderemos encarar a leitura senão como instrumento de poder, dominação dos que sabem ler e escrever sobre os analfabetos ou iletrados , essa realidade precisa ser alterada .Não que se proponha o
menosprezo pela escrita – isso seria tolice, ela em última instância, nos oportuniza condições de maior abstração, de reflexão. Importa antes começarmos a ver a leitura como instrumento libertador e possível de ser usufruído por todos, não apenas pelos letrados” (1994, p.35). Sugere-se então a “desmistificação” do espaço Biblioteca Pública como instituição neutra da cultura, como primeiro passo para um processo de empatia popular. Sem discursos, nem propósitos didáticos pois,
entende-se hoje que a leitura não é uma função que se nasce com ela e se desenvolve como um dom ou
talento, trata-se de um processo, desenvolvido através de seu exercício e que exige várias condições
favoráveis a ela. “A biblioteca pública, como um esforço de democratização da leitura, exige para seu desenvolvimento uma consciência da realidade que faz parte da visão geral que os indivíduos tem da
realidade” (MILANESI, 1983). Porém esta realidade entre indivíduo e biblioteca não se dá uma vez que, as
bibliotecas ao se transferirem para o poder público são geridas como repartição pública e com todo estigma
negativo de “repartição pública”. Sabe-se por exemplo que para leitura, precisa-se de tempo e que no entanto o funcionamento da biblioteca , é horário de repartição pública e não de usuário. Quando discuti-se os porquês e os pra quês da leitura e da biblioteca popular, agora sim está sendo desenvolvido um trabalho social e precipuamente cultural no sentido de desenvolver um senso crítico
daqueles que ali freqüentam, e não só com a leitura escrita, mas com a leitura de mundo que precede a leitura
da palavra a que Paulo Freire já se referia : (...) Uma compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, as suas relações com o contexto de quem fala e de quem lê e escreve, compreensão portanto da relação entre "leitura" do mundo e leitura da palavra, a biblioteca popular, como
centro cultural e não como um deposito silencioso de livros, é vista como fator fundamental para o aperfeiçoamento e a intensificação de uma forma correta de ler o texto em relação com o contexto. (1983)
2 AFINAL, QUE PROBLEMA É ESSE , LEITURA? Geralmente nos textos sobre os problemas da leitura e a falta de identificação popular com as bibliotecas populares são apontadas as causas, suas possíveis conseqüências e muito pouco de soluções
"práticas", mesmo havendo um consenso, que não há fórmulas mágicas que resolvam o problema , porém 4“isto é, livros que não mascaram elementos da realidade vivida, mas que desvelam em sua concretude”. Silva, Ezequiel Theodoro da. 1987.
são exposições sobre seus usuários (na maioria estudantes), e descaso na motivação que os "levam" a
biblioteca, ou seja, a obrigação escolar. Sabe-se que na atual sociedade descartável e de consumo não há tempo para ler. E que no entanto este processo requer reflexão e condições favoráveis , e que o espaço ideal a
este "exercício" e sua difusão seria a biblioteca. Mas como ligar esta a aquele? Supondo que a maioria das bibliotecas populares (entenda escolar) fossem espaços funcionais ao estímulo de "leituras", mesmo sabendo que a maioria de seus usuários, são "alunos" então porque não
identificá-los?, estruturando estudos verticais sobre estes usuários. A UNESCO em 1994 publicou um Manifesto sobre Bibliotecas Públicas onde define dentre outras que a missão-chave da biblioteca pública relacionada com a informação, a alfabetização e a educação e
cultura são em primeiro lugar "Criar e fortalecer o hábito de leitura nas crianças, desde a primeira infância"
. Esta recomendação tem fundamento uma vez que uma criança estimulada a ler desde pequena mesmo quando ainda não foi alfabetizada, consequentemente será um "bom" leitor. Como defende TERZI, "o
domínio da leitura antes de a criança iniciar a primeira série é um fator determinante de seu bom
desenvolvimento como leitora, ou seja o fato de a criança estar inserida numa cultura letrada tem uma
influência positiva significativa em seu progresso em leitura na primeiras séries escolares". (2001) Paulo Freire, há vinte anos atrás já defendia que "um outro ponto que me parece interessante sublinhar, característico de uma visão crítica da educação, portanto da alfabetização, é o da necessidade que
temos, educadoras e educadores, de viver na prática, o reconhecimento do óbvio de que nenhum de nós está
só no mundo" (1983, p. 30) Educadores, deve ser esta postura de professores e bibliotecários preocupados com o "esclarecimento" da leitura crítica tanto na biblioteca como na escola, apesar de estar nesta última, mais forte
enraizado o discurso da elite dominante, sendo reproduzido lá um movimento contrário ao de estímulo a
leitura como afirma KLEIMAN5, "cabe notar aqui que o contexto escolar não favorece a delineação de objetivos específicos em relação a essa atividade. Nele a atividade de leitura é difusa e confusa, muitas vezes
se constituindo apenas em um pretexto para cópias, resumos, análises sintática, e outras tarefas de ensino de
língua" ( 2002). Há quem interessa que o povo leia? Discutir atividades de leitura em Biblioteca Popular e comunidades carentes é, antes de tudo, defender um discurso político, pois a atual organização política e
social brasileira se divide em duas classes a dos dominantes e dominados, ALEVATO em sua pesquisa sobre
o mito da escola de qualidade esclarece , "a escola pública é representada como escola do Estado, isto é, cabe
a "ele" preocupar-se com ela, uma vez que, numa sociedade neoliberal, a valorização do privado embute um
distanciamento do público: a cada um cabe cuidar de si. " (1999) Desemprego, violência, fome e miséria, gravitam todos simultaneamente em torno da família pobre, que vítima da situação não propicia a seus filhos ambiente favorável a quase nada, a não ser a sua própria
sobrevivência. Pois se o processo de leitura, pede o contexto social em que está inserido este futuro leitor, é
cobrada também da instituição "família" sua participação. Porém com este estado de vire-se como puder a família está perdendo o domínio dos seus filhos, e a noção de cidadania. Como descreve TEVES em sua
pesquisa feita sobre ressocialização de meninos de rua , discutindo sobre a participação dos pais neste
processo: "interessante é que raramente atribuíam as suas condições de existência o fato de não viverem com
aquelas crianças, ao contrário, em geral culpavam a própria criança pelo seu abandono, aceitavam a situação de viverem separados como um dado de realidade: não tinha forças para retê-las, para educá-las, para corrigi-las, melhor dizendo, no imaginário de seus familiares, aquelas crianças
eram indomáveis, os pais rendiam-se a essa evidência, por isso mesmo se afastavam (..) Com isso, livravam-se do sentimento de culpa por. deixá-los 'a própria sorte. ( 1999). Um exercício de reversão do quadro atual exige, a participação social da comunidade, entendendo participação como “o processo histórico de conquista das condições de autodeterminação. Participação não
pode ser dada, outorgada, imposta. Participação existe, se e enquanto for conquistada. Porque é processo, não
produto acabado. Pela mesma razão é igualmente uma questão de educação de gerações. Não se implanta por
decreto, nem é conseqüência automática de qualquer mudança econômica, porque tem densidade própria,
embora nunca desvinculada da esfera da sobrevivência material. (DEMO, 1988)”. 5Angela Kleiman, Ph.D. pela universidade de Illinois EUA, professora do Departamento de Lingüistica aplicada no instituto de estudos da linguagem da unicamp. E que este caminho de participação popular se dá essencialmente via leitura, é sempre importante lembrar Paulo Freire, "a compreensão crítica da alfabetização, que envolve a compreensão igualmente crítica
da leitura, demanda a compreensão crítica da biblioteca" (1983) 3 JUSTIFICATIVA

A biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, localizada no bairro de Santo Amaro, além de vários problemas políticos - administrativos é reconhecidamente utilizada por um segmento da sociedade carente,
que são os estudantes. (ou os “órfãos das bibliotecas escolares”). Sugeriu-se então a adoção de um programa de recreação e a dinamização do espaço , no setor infanto- juvenil na Biblioteca Publica do estado, para atender as propostas de ampliar seu espaço com o
intuito de contribuir para a formação de leitores críticos e como conseqüência cidadãos mais conscientes e
participantes.
A BPE é cercada por escolas públicas, localiza-se numa posição privilegiada central ao lado de um dos maiores parques da cidade que é o Parque Treze de Maio. Apesar de muitos “problemas estruturais” no
setor Infanto-Juvenil a BPE mantém em sua programação cultural atividades recreativas para comunidade
infantil em geral, durante todo ano inclusive nas férias escolares.
Propôs-se então que no Setor Infanto-Juvenil no mês de janeiro, fôsse implementado as habituais atividades e a inclusão de ações recreativas como resgate de brincadeiras antigas (bola de gude, pião etc.)
exibição de filmes e documentários nacionais, hora do conto, oficinas, e a melhoria das condições físicas do
ambiente como: adaptação da linguagem usada na sinalização para seu público. As atividades seriam
direcionadas por faixa etária e normalmente ministradas pela manhã, por convidados específicos.
Contemplando inclusive acompanhantes, sem portanto estabelecer critérios educativos e /ou pedagógicos

4 O QUE FOI FEITO OU AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

O espaço físico da seção infantil da BPE é dividida em 3 ambientes funcionais, um primeiro voltado a estudantes adolescentes e as pesquisas escolares, o segundo à literatura infantil (e Infanto-Juvenil), com
mobiliário adequado a crianças pequenas. Na seção há uma programação mensal de atividades lúdicas e culturais, como: Hora do Conto “cineminha”,oficinas e jogos. Esta divisão entre os ambientes infantil e juvenil é caracterizada basicamente
pela decoração e pelo mobiliário, porém não há uma separação feita por paredes, ou restrições que impeçam
as crianças de usar um ou outro ambiente. O terceiro ambiente é área reservada para refeições dos
funcionários. Como já foi citado anteriormente há na seção vários problemas estruturais. As atividades na seção Infanto-Juvenil da BPE foram implementadas com a finalidade de estimular a freqüência dos habituais usuários no período de férias escolares. Os métodos adotados para estruturar as ações
foram: entrevista, questionário , observação e levantamento bibliográfico. O projeto de dinamização da seção contava com duas partes :uma "Física- estrutural", outra "cultural". Para a estruturação da primeira, a equipe lançou mão da observação e da entrevista com usuários e os
funcionários, para a segunda parte usou-se os questionários (ver anexo 1), numa amostragem inicial de 100
usuários.

4.1 DAS ATIVIDADES ESTRUTURAIS Para esta parte que foi denominada "física-estrutural" , foram desenvolvidos trabalhos no sentindo de melhorar o aspecto visual da biblioteca. Para isto foram feitas pinturas das janelas de vidro com tinta
guache, em substituição aos antigos "desenhos de isopor", de tamanho desproporcional as vidraças da
bibliotecas, o que escurecia o ambiente. Substituição das disposições do mobiliário, com o intuito de ampliar
o espaço de circulação dos usuários. Mudança de toda sinalização das estantes, com aumento da fonte , com a
finalidade de chamar mais atenção dos estudantes, para dar mais independência aos usuários. Foram retirados
o excesso de cartazes no setor, que o poluía visualmente. 4.1.1 O mito de isopor
Procurou-se também através da decoração desenvolver um trabalho de resgate cultural, das lendas e tradições brasileiras no espaço infantil, em substituição aos painéis de isopor , com figuras de "branca-de
neve", Cinderela, e outros mitos do imaginário infantil, representados por replicas dos desenhos Disney. Não desconsiderando, as idéias de Bruno Bethelem, em Psicanálise dos Contos de Fadas, onde ele defende a importância dos contos de fadas e de seus heróis e princesas para formação social e intelectual das
crianças, a substituição se deu mais por uma questão ergonômica, do que política. Como já foi dito, os
desenhos eram muito grandes para o espaço, muito infantis e tendenciosamente femininos, pois ali onde se
encontra as vidraças ficam coleções de literatura Infanto-Juvenil (adolescente) , o que poderia constranger
aqueles usuários. Optou-se então por um tema neutro, atemporal, e que pudesse ser substituído depois, caso a bibliotecária responsável pelo setor assim o desejasse. Foi escolhido então o motivo fundo-do-mar, onde
predomina os tons em azul (que é calmante), com a técnica da pintura em tinta guache, que é lavável, portanto
fácil de ser removível. Foi deixado um mural sem pintura, com o objetivo de abrir um concurso de pintura entre as crianças, onde o prêmio seria a pintura do desenho vencedor. O que não foi possível, pela baixa freqüência das
crianças.

4.2 DAS ATIVIDADES CULTURAIS Para a seleção das atividades, foram aplicados 72 questionários, entre crianças e adolescentes com idade média de 9 a 15 anos, no período de dois meses, respectivamente os meses de novembro e dezembro de
2002, a proposta inicial era entrevistar um universo de 100 usuários e não-usuários da unidade de informação,
porém os questionários foram aplicados no período de final do mês de novembro e inicio do dezembro,
coincidindo com os meses de férias, restringindo o número dos usuários entrevistados, um total de 52, vale
salientar que todos os questionários foram aplicados junto com entrevista com os jovens, despendendo um
tempo médio de 5 a 10 minutos por questionário. Foram consideradas crianças aqueles até doze anos e
adolescentes os até 16 como prevê o estatuto da criança e do adolescente. O questionário foi aplicado junto com entrevista, por haver "termos" e expressões que as crianças e os adolescentes não conheciam. Não foram consultados os acompanhantes das crianças, nem adultos, uma vez
que a programação daquele setor não contempla este público. Vale ressaltar que o "estudo do usuário", não foi um fim foi um meio, para garantir um suporte na escolha das ações culturais, portando só serão relatados alguns dos números que justificam as escolhas das
ações.

4.3 A PROGRAMAÇÃO
Através dos questionários (e entrevista) definiu-se sobre que atividades as crianças e os adolescentes se identificavam mais. Baseados nos dados criou-se uma agenda com atividades de segunda 'a sexta-feira,
desenvolvidos pela manhã pelos funcionários e 'a tarde pelas estagiárias de Biblioteconomia, com exceção das
oficinas que eram ministradas por convidados todos voluntários.(ver anexo 2). Após as atividades, era sugerido às crianças que se expressassem (se assim desejassem), através de desenhos, pinturas, sua percepção do exposto. Não se conseguiram patrocínios, mas deve-se salientar que com o apoio da direção da BPE, compramos pipoca, pirulitos, e doação de revistinhas educativas do SESI, onde foram confeccionados kits
para distribuição após cada atividade.
As atividades mais produtivas do ponto de vista da participação foram as oficinas (de música e teatro) e a Hora do Conto, as ações contaram com uma freqüência média de 20 crianças. Na oficina de
música, houve o recorde de audiência, havia cerca de 100 pessoas entre adultos e crianças. Esta foi ministrada
pelo músico Alexandre Rodrigues e a participação especial da "banda Amigos de Casa Amarela", esta atividade tinha a finalidade de explicar as crianças, um pouco de teoria musical, e indicar onde no estado
ensina-se o curso gratuitamente. Foram executados, frevos, cirandas. As crianças também tocaram junto com
a banda, algumas músicas, com os instrumentos da biblioteca que foram distribuídos entre elas .
A oficina de teatro contou com a participação especial dos usuários do setor Braille, da BPE cerca de oito pessoas entre adultos e adolescentes e o público remanescente da oficina de música, desenvolvida pelo ator Aramis Macedo, que fez uma breve descrição da história do teatro e improvisou uma dramatização com o
grupo. A "peça" nasceu sob o tema "o que você fez de mais importante hoje". Antes da encenação o ator fez
sessões de relaxamento, fazendo com que o grupo se integrasse e interagisse na proposta da oficina.
A Hora do Conto foi a atividade realizada cada Sexta-feira e ficava sob a responsabilidade de uma pessoa do grupo, cabendo a esta a escolha das histórias e etc. e as outras a monitoria das crianças e o suporte
técnico. Apesar da literatura sobre o tema, definir várias modalidades de hora do conto, desde à simples leitura do livro até dramatizações. A ferramenta escolhida, foi a de bonecos de fantoches, pois dava um
caráter de teatro a atividade, eliminando qualquer semelhança possível, com os trabalhos de leitura
desenvolvidos na escola. Todos os livros foram selecionados na biblioteca, para cada sessão da Hora do Conto, havia uma pré-seleção de até três livros, definido pelo número de crianças e pela idade média do grupo. Pois foi um dos
pontos citados em entrevista pelas funcionárias do setor, a imprevisibilidade da idade do grupo, podendo ser
adolescentes, crianças de até 8 anos ou muito pequenas com 4 anos, ou seja, deveria haver uma preparação
com histórias adequadas para qualquer um desses. Conscientes, desta faceta os livros foram escolhidos em
diversos níveis de compreensão da criança. (ver anexo 3) 4.3.1 Onde estão os filmes infantis brasileiros? Esta pergunta ilustra muito bem uma dificuldade encontrada em relação 'as atividades culturais. O "cineminha " 'as quartas, pretendia ser um resgate , aliás como todas as atividades, da cultura brasileira. O que
não foi possível pela falta de opção deste tipo de material. Os filmes inéditos que foram selecionados , como
"Castelo Rá-tim-bum", nbão foi encontrado em fitas, outros como "Tainá ", já havia sido exibido várias vezes na seção. Então optou-se por exibição de filmes estrangeiros, mais que contivessem um questionamento
político . Como, "vida de insetos", "Os monstros S.A.", "A era do Gelo". 5 OS RESULTADOS A maioria dos entrevistados 80% entre crianças e adolescentes eram oriundos de escolas públicas da vizinhança, estes afirmavam que havia biblioteca em sua escola, mas preferiam a seção Infanto-Juvenil da
BPE, pela sua diversidade do acervo e comodidade do espaço 79, 16%. A maioria dos estudantes (ver fig.2)
freqüenta a seção por obrigação escolar, porém estes números variam entre adolescentes e crianças, entre
estas últimas apareceu a motivação "brincar". Figura. 1 (gráfico que mostra o percentual de crianças e adolescentes entrevistados). Motivação- obrigação escolar38%62%crianças
adolescentesgrupo de usuários por faixa tária54%46%CriançasAdolescentesFig. 2 . Gráfico que ilustra a resposta a pergunta Porque você vem a esta biblioteca?

Este número talvez, justifique a falta de identificação entre os adolescentes e a seção , isto se dê pelo direcionamento que é dada as atividades só para crianças. E alerta para outra conclusão perigosa, que a
imagem da biblioteca está muito associada a escola, é como se a biblioteca fosse uma extensão da escola. E
"escola" não é lugar de se visitar nas férias (?). Porém entre as crianças (ver fig. 3), aparece outras motivações como por exemplo, jogar (brincar de academia, dominó, damas), ler e simplesmente beber água. Merecendo um estudo de usuário mais detalhado
deste, que se utiliza apenas do bebedouro da biblioteca. Há também os que vão por outros motivos, como o de
acompanhar um amigo, ou esperar a mãe que trabalha na biblioteca, ou nas proximidades.
Fig. 3 Outros motivos, além da obrigação escolar, para as crianças irem a seção Infanto-Juvenil.
Como já foi esclarecido anteriormente, este questionário não foi o objeto de estudo, portanto não serão analisados todos os números apenas os que reforçam a escolha das ações e os que dão mais
embasamento as constatações que foram feitas nas observações in loco . O que merece destaque é que, como foi diagnosticado no plano inicial a biblioteca tem vários problemas estruturais, como falta de refrigeração(é um local muito quente), pequeno para a quantidade de
usuários, enfim sem mínimas condições de conforto, apesar do exposto na pergunta sugestões, "o que você
sugere para melhorar a biblioteca?" 50% das crianças , afirmavam que não precisava melhorar em nada, em
contrapartida outros 50% pediam melhor atendimento. Entre os adolescentes 35% não tinham sugestões e os
outros 75% sugeriam idéias para melhorar a estrutura da seção como organização e limpeza, conserto do
sistema de refrigeração, aquisição de novos jogos, maior e melhor divulgação da programação. Um outro ponto que de grande relevância e reforça a idéia de desatenção com a biblioteca, é que em sua entrada há um "cavalete" como toda programação mensal, e apesar disso 62, 50% das crianças afirmavam Outros motivos para ir a biblioteca17%39%17%10%17%JOGAR
LER
FILMES
BEBER ÁGUA
OUTROSque não ouviu falar da programação, entre os adolescentes este cai um pouco, para 60,71%. Ou seja, não há
interação entre os entrevistados e a biblioteca. Merece destaque ainda, alguns depoimentos colhidos: "Não precisa melhorar nada, temos um bom atendimento" Danilo Rocha, 14 anos.
"Aqui a gente se sente mais aberto, tem mais livros, agente se sente no país das maravilhas" Douglas
Barbosa, 11 anos.
5 CONCLUSÃO
Embora esta pequena amostragem, demonstre que a maioria dos usuários da seção Infanto-Juvenil da BPE, não a freqüente nas férias, eles "acham" o espaço funcional, e que atende as suas necessidades de
pesquisa escolar. Talvez inconscientemente estes saibam que a biblioteca deva ter mais que livros, um
adolescente de 14 anos ao justificar sua preferência à seção em detrimento à de sua escola argumentou : "lá só
tem livros, faltam atividades". Dinamizar a seção, foi esta a meta principal do trabalho. Mas para quê? Para aumentar a "estatística" das férias? Ou para dar mais "atividade", àquela que o jovem se referia?. Dinamizar uma instituição como uma biblioteca pública, vai muito além da simples pintura, ou da implementação de uma agenda cultural. Uma biblioteca é administrada e usada por "pessoas", e esse processo
de "dinamização" deveria, a priori , ser o fio condutor de mudanças, primeiro no corpo dos funcionários e na
conduta com que desempenham suas funções. Em conseqüência destas mudanças deveria haver um trabalho
político com seus usuários. O que foi percebido na seção Infanto-Juvenil da BPE foi o descompromisso, com o real, o social. As atividades culturais existem ,mas não de verdade , normalmente não são implementadas, com a desculpa de
não haver usuários. E começa a discussão, não há usuários porque além do desconforto das instalações, não
existe um bom atendimento. E por isso os usuários não a freqüentam, e como não o fazem alguns funcionários
continuam com seu mau atendimento. Um trabalho cultural em uma biblioteca pública, vai muito além da famosa Hora do Conto, não é um trabalho cosmético, de fácil resultado. É um trabalho a longo prazo e de resultados duvidosos. No entanto este
pensamento sócio-cultural, deve ser a meta dos que fazem a biblioteca, o que se vê lá é a repetição de um
discurso conformista. E é esta a mais triste constatação, alguns bibliotecários não tem consciência de sua
missão político-social.
ANEXO 1 QUESTIONÁRIO Estudo do Usuário NOME (OPCIONAL)
_____________________________________________________________________________ 1.Qual a sua idade?
_______________________________________________________________________________
2.Qual o nome de sua
escola?_______________________________________________________________________
3.Qual a sua série?
_______________________________________________________________________________
4.Em que bairro você mora?
________________________________________________________________________
5.Em sua escola tem biblioteca?
_____________________________________________________________________ ( ) sim
( ) não
Você freqüenta mais lá ou aqui? Porque? _______________________________________________________________________________

6.Com que freqüência você vem a esta biblioteca? ( ) todos os dias ( ) uma vez por semana
( ) mais de uma vez por semana
( ) raramente 7. Por qual motivo você vem a esta biblioteca? ( ) obrigação escolar ( ) ler ( ) jogar ( ) assistir filmes ( ) outros _______________________________________________________________________________

8. Qual atividade recreativa você mais gosta?
( ) Hora do Conto ( ) jogos ( ) brincadeiras ( ) teatro ( ) música ( ) filmes ( ) oficinas
9. Você freqüenta a biblioteca nas férias?
( ) Sim Quantas vezes __________________________ ( ) Não
10. Você conhece a programação cultural do Setor infanto-juvenil?
( ) Sim ( ) Não
11. Que sugestões você daria para programação Cultural ?
_______________________________________________________________________________12. Que
sugestões você daria para melhor o setor infanto-juvenil da BPE?
_______________________________________________________________________________
ANEXO 2
PROGRAMAÇÃO CULTURAL DO SETOR INFANTO-JUVENIL DA BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO DE PERNAMBUCO JANEIRO / 2003

SEGUNDAS-FEIRAS - DIAS 06, 13, 20, 27
• Brincadeiras populares: "Um resgate da cultura infantil". Estagiárias do curso Biblioteconomia - UFPE
TERÇAS- FEIRAS - DIAS 07, 14, 21, 28
Dia 07 - música : "como é bom poder tocar um instrumento"
(demonstração e prática com instrumentos musicais) Alexandre Rodrigues - músico convidado
DIA 14 - Poesia - " A criança e as palavras "
Augusto M elo - poeta DIA 21 - Teatro : "Faça você um personagem"
Aramis Macedo - ator

QUARTAS-FEIRAS - 08, 15, 22, 29
Cineminha: "Telinha, pipoca e almofada"
QUINTAS-FEIRAS - DIAS 09,16,23,30.
Descobrindo a biblioteca e a informação"

SEXTAS-FEIRAS - DIAS 10, 17, 24, 31.
Hora do Conto: "uma história pra contar"

ANEXO 3 SELEÇÃO DE HISTÓRIAS POR FAIXA ETÁRIA PARA HORA DO CONTO CRIANÇAS* 4 -8 ANOS CRIANÇAS 9 - 12 ANOS ADOLESCENTES 12- 15 ANOS "Nicolau tinha uma idéia.." "A fada que tinha idéias..." LENDAS POPULARES- PE - FUNDAJ "A descoberta da Joaninha.." "Papirofobia.." " Couro de piolho" "Chapeuzinho Amarelo" "o reizinho mandão" " Os Três diabos" "Pata aqui, pata acolá.." "O fósforo" * "Meio a meio " Obs. livros utilizados na Hora do Conto.
FONTES BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, M. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. 5 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2000. 150p.
BAMBERGER, R. Como incentivar o hábito de leitura. 3 ed. São Paulo : Ática: UNESCO, 1987. 110 p. (
Série educação em ação).

BRASIL, Constituição de 1988: Texto constitucional de 5 de outubro de 1988 com as alterações adotadas
pelas Emendas Constitucionais n. 1/92 a 22/99 e Emendas Constitucionais de revisão n 1 a 6/94. Brasília:
Senado Federal, subsecretaria de edições técnicas, 1999. 360 p.

COELHO, T. Usos da cultura: Políticas de ação Cultural. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. 124 p. (Educação e comunicação, v.16)

DIMENSTEIN, G. O cidadão de papel: A infância, a adolescência e os direitos humanos no Brasil. 13 ed.
São Paulo: Ática, 1997.157 p. ( Série Discussão Aberta).

DEMO, P. Pobreza Política. São Paulo: Cortez: autores associados, 1988. 112p.
( Coleção polêmicas do nosso tempo, 27).

FEITOSA, L..T. O Poço da Draga: A favela e a biblioteca. São Paulo: Annablume; Secretaria da Cultura e Desporto, Ceará. 1998. 208 p.

FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1983. 94 p. (Coleção polêmicas do nosso tempo, 4)
KLEIMAN, A . Texto & Leitor: aspectos cognitivos da leitura. 8 ed. São Paulo: Pontes, 2002. 82p.

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Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas (1994) disponível em: http://www.fl.uc.pt/CIENDOC/CURRICUL/PLANO2DB/LEITPUBL.htmlacesso em 18 de novembro de 2002.
MARTINS, M.ª H. O que é Leitura?. 19 ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. 96p. ( Coleção Primeiros Passos,
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MILANESI, L. A casa da Invenção: biblioteca, centro de cultura. 3 ed. ver. Amp. São Paulo: Atelier
Editorial, 1997. 271p.

_______. Ordenar para desordenar: centros de cultura e bibliotecas públicas. São Paulo: Brasiliense, 1986.
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PERROTI, E. A leitura como fetiche. Leitura : teoria e prática, Porto Alegre ,n. 8 , ano 5, 127- 147. 1986.

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TERZI, S.B. A construção da leitura. 2 ed. São Paulo: Pontes, 2001. 165p.

TEVES,N. ; RANGEL, M. (Org.). Representação social e educação.; temas e enfoques contemporâneos de
pesquisa. São Paulo: Papirus, 1999. 176 p. (Coleção magistério: Formação e trabalho pedagógico).

WEHRPLOTZ, E., CANDIDO, H.; BONO, L. Padrões de espaços em biblioteca:
acervo, usuários, funcionários. Disponível em: http://campus.fortunecity.com/mcat/102/espaco.htm
ZILBERMAN, R. A leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto, 1988. 147p. ( coleção
repensando o ensino)

sábado, setembro 23, 2006

Grupo de 37 escritores de vários países imagina biblioteca ideal

Um grupo de 37 escritores de vários países reúne-se entre 26 e 30 de Setembro perto da cidade francesa de Estrasburgo para imaginar «A Biblioteca Ideal».Originários de Espanha, Argentina, Turquia, Irão, Martinica, Tunísia, República do Congo, Togo e França, os escritores debaterão com os seus leitores temas diversos e assistirão à leitura de extractos das respectivas obras, em alguns casos com acompanhamento musical. Falarão, além disso, das leituras favoritas, do livro que levariam para uma ilha deserta, das obras que consideram indispensáveis em qualquer biblioteca, no âmbito de um programa elaborado pelas autoridades de Estrasburgo em colaboração com uma importante livraria local.«Porquê ler os clássicos?», «A Biblioteca Ideal de Mapas e Escritores de Viagens», «Uma Biblioteca das Nuvens», «A Noite Casanova», «Dos Continentes Negros», «Do Sentimento Amoroso», «De Virginia Woolf» e «Do Comediante» são os títulos de algumas sessões de debate previstas, precisaram os organizadores.O representante espanhol em «A Biblioteca Ideal”, o jornalista e escritor granadino José Manuel Fajardo, autor de obras como «Carta do Fim do Mundo», «Terra Prometida» e «Os Demónios à minha Porta» (publicados pelas edições ASA), falará das personagens do seu último romance, ainda não traduzido para português, «A Pedir de Boca».Por sua vez, o ensaísta e novelista argentino Alberto Manguel, autor de «Uma História da Leitura» (editado em Portugal pela Presença), centrar-se-á na figura de Jorge Luis Borges, que conheceu aos 16 anos.O director da colecção «L’Infini» (o infinito) da editora Gallimard, Philippe Sollers, particularmente apaixonado pelo mito histórico de Casanova, e a historiadora Evelyne Lever, autora de «Marie-Antoinette, la Dernière Reine», são alguns dos convidados franceses que assistirão aos debates.Na iniciativa, participarão também os africanos Alain Mabanckou, Scholastique Mukasonga e Boniface Mongo-Mboussa, indicou o presidente da Comunidade Urbana de Estrasburgo, Robert Grossman, declarando-se convencido de que a biblioteca ideal “é um mito que pode ser realidade”, como prova o antecedente da biblioteca de Alexandria.Os encontros de «A Biblioteca Ideal» estrearão a grande sala de L’Aubette, um edifício de 1928 que acaba de ser reabilitado naquela cidade do nordeste de França, onde têm sede o Conselho da Europa e o Parlamento Europeu.

sábado, setembro 16, 2006

Biblioteca e museus obtêm verba do BNDES

DA FOLHA ON LINE, NO RIO

A Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, receberá R$ 390 mil do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômica e Social) para cuidar da preservação emergencial da coleção geral de periódicos. Os Museus Castro Maya, que englobam Chácara do Céu e Açude, no Rio de Janeiro, vão receber R$ 350 mil para a implantação de sistema de segurança.O Museu da Chácara do Céu, em Santa Teresa, região central, teve obras de Salvador Dalí, Pablo Picasso, Claude Monet e Henri Matisse roubadas em fevereiro passado. A biblioteca, o museu e outras 18 instituições fazem parte da lista de aprovados para receber financiamento para a recuperação de acervo dentro do Programa de Apoio a Projetos de Preservação de Acervos.No caso dos Museus Castro Maya, a verba segue exclusivamente para a segurança, mas o banco também concederá recursos para as instituições investirem em itens como base eletrônica de dados e manutenção e restauração de acervo.O programa do BNDES tem valor total de R$ 5,4 milhões. Para cada instituição, o banco liberará no máximo o equivalente a 85% do total do projeto, limitado R$ 500 mil.O presidente do BNDES, Demian Fiocca, negou que tenha havido privilégio a instituições públicas nas aprovações. No total foram 11 museus públicos e nove privados. "O critério de seleção foi de importância de acervo."

domingo, setembro 10, 2006

O que os livros dizem dos bibliotecarios

Lo que los libros dicen de nosotros

Hay encomiables esfuerzos realizados por colegas antes que yo para contarnos la imagen de los bibliotecarios en el cine, en los comics, en las novelas, etc. Yo he sido capaz de leer alguna de estas cosas, a pesar de que suelen venir en inglés. Entonces he pensado en hacer algo como más ligerito y menos enjundioso, a partir de imágenes de cubiertas de libros que digan algo de los bibliotecarios, bien porque son libros de biblioteconomía (¿porqué los manuales de ByD españoles no llevan NUNCA fotos en la cubierta?) bien porque tengan un bibliotecario, documentalista o archivero entre sus personajes dignos de mención.

Vamos a verlos:
Comenzamos con las novelas, como éste "The archivist: a novel" que creo yo que reúne algunos de los paradigmas del género: libros apilados, con apariencia de sobadillos, como debe de ser en una biblioteca, y la confirmación editorial de que se trata de una novela, no se vayan a pensar. La cosa es que un archivero profesional habría usado como ilustración ¿una pila de expedientes administrativos? ¿un cartapacio notarial? ¿una tartera de CD-ROMs? pero los publicitarios esteblecen la relación: archivero - bibliotecario - libros viejos. Y así se venden las novelas mejor que si le preguntaran al archivero.

Y esta otra novela "Here lies the librarian" rompe con el esquema de mostrar el ambiente interior de la biblioteca o la imagen del bibliotecario, para sugerir sutilmente la presencia "hic iacet" de éste bajo la tumba que reza: SHH! propio del imaginario bibliotecario (Maneras de mandar callar). Recomiendo leer el argumento: trata de unas estudiantes de biblioteconomía que desentierran un cadaver o algo así, cada vez entiendo peor estas lenguas bárbaras.
"How I fell in love with a librarian and lived to tell about it". Podría éste ser una novela con tintes autobiográficos o un falso libro de memorias con chismorreos sexual-bibliotecarios. No sé si en España triunfaría un libro llamado "Me enamoré de mi bibliotecaria". Pero todo indica que es un libro cuyo público objetico son los bibliotecarios: dice Amazon que lo compran los mismos que compraron este tipo de cosas.

Aunque éste creo que está teniendo éxito en España: "La biblioteca de la piscina". No sé si hay bibliotecarios en la trama, sólo sé que va de gays. Pero no es incompatible. Dice el Library Journal en su crítica: "The occasionally graphic descriptions of sex will likely upset some readers". ¿Entristecer? De verdad que ya no entiendo este idioma. ¡Gay significa alegre!
Ésta ya la saqué el otro día, porque me encanta la nueva imagen del libro encadenado. "Le Grand amour du bibliothécaire". Argumento: Fulberto, bibliotecario del pueblo de Tiralaservilleta, odia los libros, nidos de polvo sobre sus bellas estanterías. Se pone a expurgar yl final se queda con un sólo libro, y porque está encadenado; pero entonces viene y se hace el carnet de la biblioteca una bella zagala llamada Rosamari, de la que Fulberto se enamora de inmediato. Fulberto se pone a comprar libros para su bella usuaria... y ya no cuento más, pero hay intervención de malvados villanos, la chica se casa con el chico y al final todo el pueblo se saca el carnet de la biblioteca (bueno, ya la he destripado, joer).
Este es un novelón, un thriller de esos que gustan ahora. "The librarian". Misterios políticos, enredos electorales, crímenes, líos de faldas, pederastias, etc. ¿Qué pinta aquí el bibliotecario? No sé. Leed la novela si os amosca. O ved la película. Bueno, adelanto el arranque de la historia: "Un bibliotecario universitario, para ganarse una perras extra, se ofrece a catalogar la biblioteca privada de un ricacho ultraderechista norteamericano, que resulta estar implicado en una conspiración de carácter político..." y ya no digo más, como diría Mayra Gómez Kemp.

Luego están otras novelas de misterios: lo de las bibliotecas levanta en el imaginario colectivo más referencias al misterio que las peluquerías de señoras o las gestorías administrativas, no me lo explico pero así es:
"¡Socorro, que me he quedado encerrada en la Biblioteca!" es el título de una de ellas. La protagonista es una niña que también se llama Rosamari; Rosamari entra a hacer pis en el servicio de una biblioteca pública rural y como es la hora del cierre pues echan el cierre, la chica se queda encerrada (con su hermanita) y pasan allí la noche. Eso es todo.

"Miss Zukas and the Library Murders" de Jo Dereske. (Ojo al nombre de la autora: léelo en voz alta). Pues la autora es bibliotecaria. Joder, es que lo veía venir.

"Tomás y la señora de la Biblioteca", de Pat Mora. Book Description [tomado de Amazon]: Basado en la historia real del educador Mejicano-Americano Tomás Rivera, un hijo de trabajadores inmigrantes que llegó a convertirse, dentro del sistema de la Universidad de California, en el Canciller del primera minoría, esta inspiradora historia sugiere lo que las librerías-y la educación-pueden hacer posible. "Las bellas ilustraciones esgrafiadas de Colón, en su rítmico estilo texturizado y brillantemente colorido, capturan el calor y los sueños que el chico encuentra en el mundo de los libros." -Booklist. Me encantan los traductores automáticos; han llegado a un nivel de sofisticación tal, dignos de la inteligencia artificial, que todavía no saben que library es biblioteca, no librería. Es asombroso lo que la tecnología puede llegar a hacer por nosotros: darnos más trabajo.
"Lo que hay que oir -dijo la Bibliotecaria". Es una novela de miedo, y se sabe por la tipografía de la cubierta y el tono oscuro. Argumento: En un poblaco de la América Profunda se produce un crimen, y la bibliotecaria, que tiene su biblioteca en el mismo edificio del cuartelillo de la policía local, se pone a investigar con su moño y su literna. En Amazon un lector anónimo dejó dicho: "I loved this little mystery! I am a Texan and a librarian, so I bought it for myself at the Texas Book Festival in Austin. I think we have found a new author for our library, we are ordering a couple of copies-my own copy is a keeper! I can usually guess the "murderer" before the end-but this one had me fooled." Bibliotecaria, y tejana... ¡a ver si va a ser la mujer de Bush!
Y eso era respecto a los libros de ficción. ¿Qué pasa con los de no-ficción? Ya digo que hay hasta manuales de biblioteconomía con imágenes de bibliotecarios que me hacen pensar. Aunque sean libros impensables como éste: "Ensayos de Biblioteconomía Cristiana". Es una recopilación de artículos en los que se habla, por ejemplo, de la perspectiva bíblica del multiculturalismo en las bibliotecas públicas, "La llamada del Señor para trabajar en bibliotecas", o cómo hacer para respetar el domingo y abrir la biblioteca al mismo tiempo. Hagan como nosotros: no abran los domingos.
o que nos hablen de una literatura bibliotecaria alternativa que no sé si aquí existe: "Biblioteconomía Alternativa". Creo que es una recopilación de artículos de los que ponen en dedo en la llaga: ¿Hay censura en las bibliotecas? ¿Debemos ejercer la censura? ¿Se puede encontrar realmente todo tipo de información? Y entonces pinchan en la llaga: ¿literatura nazi? ¿KKK? ¿fundamentalismos? O creemos o no creemos en las bibliotecas como instrumentos del libre desarrollo de las personas y las sociedades.

o tan enigmáticos como este otro que ya mostré. Os adjunto un enlace a la búsqueda que he hecho en Amazon sobre libros de este estilo,¡y hay varios!: "El sexo y el bibliotecario indeciso", "Actitud del bibliotecario infantil y juvenil ante el sexo", "Gestión de Hemerotecas Pornográficas" o "Todo lo que quieres que los niños NO sepan sobre el sexo".
uno mexicano (por cierto, felicidades por la BIBLIOTECOTA, es de las mejores palabras que he oído en este ámbito profesional):
Uno de los que me da pereza leer, pero que debería desiderar:
... o sobre los bibliobuses, que fenómeno que recogió la BBC en un documental:
Dentro de la sección "ficción" me queda una subsección de género fantástico, destinado al público infantil-juvenil, supongo, aunque uno nunca sabe:

Luego vienen estos, destinados a un público un poco más joven, y como queriendo hacer proselitismo bibliotecofílico:



Y ya para terminar, los libros de divulgación sobre las bibliotecas. Sí, ya sé que es un género (casi) inexistente por estos pagos. Sobre todo de este tipo, destinado a los niños en apariencia. También los hay destinados a bibliotecarios que tienen niños entre sus clientes:
"A bookworm who hatched": un crítico infantil (niño él mismo) escribió la siguiente crítica en Amazon: "I think this book is a good book". Más claro, agua. My taylor is rich.


Este de "Love a librarian" me ha llevado a conocer otras obras como "Guía del amor entre las estanterías", o "La Clasificación Dewey del amor". Impagables.

Rhyme: The LibrarianThe librarian helps the visitors findSeveral good books to strengthen their mind.Magazines and records stored on a rack,You can take some things homeBut you must bring them back.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Mais uma rapina do patrimonio bibliográfico brasileiro... desta vez foi na Biblioteca Mário de Andrade.
Do Jornal Hoje, TV Globo

Obras raras são levadas de biblioteca


Em São Paulo, a polícia procura pistas que ajudem a esclarecer o furto de obras raras em uma biblioteca municipal.
Entre as obras furtadas da biblioteca Mário de Andrade estão dezenas de gravuras de Debret e Rugendas e litografias de Hurmeister.
As salas onde os furtos ocorreram não têm câmeras de segurança e não são abertas à visitação. Por isso está sendo investigada a participação de funcionários.
Segundo a direção do museu, as obras estavam em local fechado à visitação pública. Só três funcionários tinham acesso ao acervo.
Quem comprar uma peça furtada pode pegar até oito anos de cadeia.

domingo, setembro 03, 2006

Google disponibiliza livros clássicos para download gratuito

Arquivos poderão ser baixados em formato PDF, além de terem seu conteúdo indexado para facilitar buscas
Com Agências Internacionais

Veja também
¤ Google Pesquisa de Livros ¤ Ebook Cult
SÃO PAULO - Arquivos poderão ser baixados em formato PDF, além de terem seu conteúdo indexado para facilitar buscas
Como parte de seu projeto de digitalização de livros, o Google passará a oferecer aos usuários a possibilidade de baixar livros clássicos gratuitamente.
Os arquivos, disponíveis no formato PDF, incluem títulos de autores como Dante Alighieri e outros livros que não estão mais sujeitos às leis de direito autoral. A novidade é uma evolução do sistema, já que os arquivos podem ser impressos, copiados e transportados livremente (até então só era possível consultá-los na tela do computador). \nTodo o conteúdo dos livros disponíveis para consulta pode ser consultado com a ferramenta de busca do site, que está fechando acordo com editoras de livros e universidades nos EUA e em outros países para a digitalização de acervos, iniciativa que inclui grupos editoriais e bibliotecas brasileiras. \nNo caso dos livros disponibilizados pelo Google, há uma marca d´água em cada página nos arquivos PDF onde se lê, em inglês, a frase "digitalizado pelo Google." \n\nVersão brasileira\nNa semana passada, a Google anunciou o lançamento da versão em português de sua ferramenta de busca em livros, chamada de Google Pesquisa de Livros, que está em fase de desenvolvimento (beta) e que permite pesquisar textos de livros brasileiros com base em palavras chave. \nO download gratuitos de livros que não estão no mercado, no entanto, não é exclusividade do Google. Outros sites que promovem formatos eletrônicos como o brasileiro Ebook Cult trazem arquivos de clássicos para download, além de links para outros sites que promovem livros em formato eletrônico

Os arquivos, disponíveis no formato PDF, incluem títulos de autores como Dante Alighieri e outros livros que não estão mais sujeitos às leis de direito autoral. A novidade é uma evolução do sistema, já que os arquivos podem ser impressos, copiados e transportados livremente (até então só era possível consultá-los na tela do computador).
Todo o conteúdo dos livros disponíveis para consulta pode ser consultado com a ferramenta de busca do site, que está fechando acordo com editoras de livros e universidades nos EUA e em outros países para a digitalização de acervos, iniciativa que inclui grupos editoriais e bibliotecas brasileiras.
No caso dos livros disponibilizados pelo Google, há uma marca d´água em cada página nos arquivos PDF onde se lê, em inglês, a frase "digitalizado pelo Google."
Versão brasileira
Na semana passada, a Google anunciou o lançamento da versão em português de sua ferramenta de busca em livros, chamada de Google Pesquisa de Livros, que está em fase de desenvolvimento (beta) e que permite pesquisar textos de livros brasileiros com base em palavras chave.
O download gratuitos de livros que não estão no mercado, no entanto, não é exclusividade do Google. Outros sites que promovem formatos eletrônicos como o brasileiro Ebook Cult trazem arquivos de clássicos para download, além de links para outros sites que promovem livros em formato eletrônico.

sábado, agosto 26, 2006

Moda européia é ‘Para ler no ônibus’


A leitura “de expresso” só se dava no metrô das grandes cidades. Agora, na Espanha, com o surgimento dos diários gratuitos para leitura em ônibus, nas cidades que não possuem metropolitano, algumas regiões espanholas adotaram a distribuição gratuita de livros para leitura em viagem. As empresas municipais de transporte de Málaga, Granada e Córdoba distribuem, em um ano, 240 mil relatos inéditos de autores reconhecidos na coleção “Relatos para ler no ônibus”. Entre os novos autores a serem lidos nos ônibus está inclusive o português José Saramago, um dos que foram seduzidos pela idéia. O projeto agora está sendo estudado pelas municipalidades de Madri e de Londres, que pretendem desenvolver o hábito de leitura entre os passageiros e ao mesmo tempo melhorar as condições do transporte público.

domingo, agosto 20, 2006

Barbara Epstein, a alma da NYT Review of Books Como a criadora e diretora da publicação, que morreu no mês passado, fez de cada edição uma leitura obrigatória

Martin Kettle, The Guardian

Você já saiba que existem cerca de 300 milhões contêineres de expedição em todo o globo, que no século 20 revolucionaram o comércio mundial, permitindo aos países em desenvolvimento, em especial a China, enviar mercadorias com mais rapidez, de forma mais barata e lucrativa, e tornando possível a manufatura moderna na qual os componentes são feitos num continente e montados em outro? Ainda mais que a internet, os contêineres são as artérias da globalização moderna. Mas eles se transformaram em dor de cabeça para a segurança. Seria difícil detectar contêineres adaptados e equipados para transportar pessoas entre os milhões deles repletos de mercadorias genuínas. O potencial de morticínio decorrente da explosão de um contêiner-bomba seria bem maior que de um avião comercial lotado.
Agora, uma segunda questão e um tópico diferente: você sabia que durante a revolução americana do século 18, entre 80 mil e 100 mil escravos afro-americanos (quase um quinto da população escrava da América do Norte) fugiu? Bem, eu também não sabia disso. Mas os escravos não fugiram para qualquer lugar. Uma parcela passou para o lado dos britânicos, que lutavam para impedir a independência americana, na esperança de obter liberdade e proteção. No fim da guerra, entre 15 e 20 mil escravos fugidos continuaram sob proteção britânica. Muitos permaneceram nos EUA e se aventuraram. E, apesar de o próprio George Washington ter exigido o retorno deles, cerca de 9 mil preferiram seguir os últimos ingleses quando estes se retiraram da terra que se tornou os Estados Unidos.
A deles foi uma das mais pungentes das diásporas humanas. Alguns desses ex-escravos foram para Nova Escócia. Outros atravessaram o Oceano Atlântico para a Europa. Alguns continuaram na Grã-Bretanha, outros participaram de projetos de colonização no oeste da África, principalmente em Serra Leoa, às vezes em associação com escravos libertos que haviam permanecido nos EUA. E, em 1787, em 11 casos individuais notáveis, fizeram parte da "primeira frota" de condenados pela justiça e colonos que viajaram de navio para o que é hoje o porto de Sydney para criar a moderna Austrália. Assim, não é impossível que ao menos 1 desses 11 tenha nascido na África, crescido nos EUA, ido já adulto para a Europa e terminado seus dias na Austrália - uma história de vida de viajante global que seria notável mesmo no século 21, quanto mais no século 18.
A esta altura, você talvez esteja se fazendo uma terceira pergunta: aonde tudo isso pretende nos levar? Os dois assuntos têm em comum o interesse inerente e o estímulo intelectual. E ambos são brilhantemente discutidos na mais recente edição da publicação que, ao menos na opinião deste leitor geral, mais pode reivindicar para si o título da publicação indispensável do moderno mundo falante do inglês - a New York Times Review of Books.
Há cerca de um ano, um amigo atento insinuou que, em muitas ocasiões, esta coluna conteve uma recomendação para ler este ou aquele artigo num exemplar recente da NYRB. Desde então, tenho tentado refrear este hábito, nem sempre com sucesso. Mas minha devoção a este maravilhoso exame quinzenal da política e das artes não diminuiu, e a morte no mês passado da sua fundadora e diretora, Barbara Epstein, é uma oportunidade de explicar por quê.
Para fazer isso, não é preciso ir muito longe, pois na atual edição de 10 de agosto, amigos e colegas lembram Epstein e o cuidado dela com a edição. Em um artigo, Gore Vidal recorda como Epstein contestou o uso casual do adjetivo "implacável" aplicado a Bobby Kennedy (imagine tentar manter tal tato e escrúpulo na imprensa britânica de hoje movida a insultos). Em uma outra participação, o historiador de Yale, Edmund S. Morgan, capta um aspecto essencial da NYRB, que qualquer leitor assíduo reconhecerá instantaneamente. O método de Epstein de encomendar matérias era muito peculiar, revela Morgan: "Nada de solicitar um determinado número de palavras em uma determinada data marcada sobre o livro a ser enviado se eu concordasse com as condições. Nada disso. Um livro chegava à sua porta com uma mensagem de uma só sentença - 'se este livro lhe interessar'. A pressuposição era que eu talvez quisesse escrever algo sobre o livro para ela. Sem data de entrega, sem especificar o tamanho, sem precisar entregar o livro se este não me interessasse. Fui desarmado pelo alto estilo desse modo de se dirigir a mim... Era um convite para ser você mesmo, para mostrar o que você tinha a dar."
Com essas maneiras irresistíveis, Epstein e seu co-editor, Robert Silvers, criaram a publicação de leitura obrigatória com 68 páginas que está diante de mim na minha mesa. Embora este último exemplar não contenha nada do meu habitual favorito da NYRB, o grande Garry Wills, ainda consegue - com suas avaliações magistrais das exposições de Dada e Frederic Church (a última de autoria de nada mais nada menos que John Updike), da vida de Stravinski ("Quando Stravinski morreu (...) o mundo ficou sem um grande compositor pela primeira vez em 600 anos. E ainda está.) e sua análise da política moderna iraquiana, o islamismo xiita, da nova Bolívia e do significado de a decisão da Suprema Corte sobre Guantánamo - proporcionar uma demonstração do jornalismo superior que dá uma surra nas futilidades de seus imitadores britânicos.
Você, às vezes, pode ter a impressão que o liberalismo americano da era Bush caiu em descrédito e fracassou, ainda mais tomando como exemplo a seletividade da imprensa britânica. Continuem sonhando, vocês esquerdistas hipócritas e neoconservadores raivosos, com suas certezas superficiais. Enquanto a incomparável New York Review of Books de Barbara Epstein existir e estiver bem, ela é capaz de convencê-lo uma vez a cada 15 dias que ainda existe algo na nossa vida intelectual que vale a pena ser passado adiante.
TRADUÇÃO DE MARIA DE LOURDES BOTELHO

sábado, agosto 19, 2006

Relatório Geral Resumido, contendo as recomendações gerais do Seminário Sul – Americano dos Manifestos e Diretrizes IFLA/UNESCO para Bibliotecas Públicas e Escolares, promovido e realizado pela FEBAB no período de 14 a 16 de julho de 2005, em Curitiba, Paraná, Brasil1

Summarized General Report, contend the general recommendations of the South Seminar - American of the Manifests and Lines of Direction IFLA/UUNESCO for Public and School Libraries, promoted and realized for the FEBAB in the period of 14 the 16 of July of 2005, in Curitiba, Paraná, Brazil

Inês Maria de Moraes Imperatriz

De forma geral, através de estudos sobre a questão de políticas de educação na América do Sul, verifica-se que os Manifestos e Diretrizes da UNESCO para Bibliotecas Públicas e Escolares tem tido, nos últimos anos, um impacto restrito quanto à organização de bibliotecas e de serviços especializados na área, e a ampliação da divulgação desses documentos podem trazer efeitos positivos para o planejamento desses serviços. Sendo assim, o objetivo principal para a organização do seminário foi apresentar e disseminar os Manifestos e Diretrizes para Bibliotecas Públicas e Escolares para o profissional dessa região, verificar o estágio em que se encontram essas bibliotecas nos países sul-americanos por meio de relatórios apresentados pelos países, e promover a utilização desses documentos no planejamento de sistemas de bibliotecas públicas e escolares.
De acordo com a proposta, onze países, dos 13 existentes, apresentaram relatórios sobre as condições atuais das bibliotecas públicas e escolares: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Suriname, Venezuela e Uruguai. Além disso, o Seminário contou com a presença de titulares e representantes de órgãos públicos e organizações parceiras na organização do evento, e de especialistas da área e com a apresentação de Conferência Magna do Dr. Abdelaziz Aziz, da UNESCO, com o tema "UNESCO, Bibliotecas e Sociedade da Informação", destacando o panorama e os programas institucionais para a preservação, uso e disseminação da informação, ressaltando a importância das bibliotecas contextualizadas nos
1 O relatório geral foi organizado pela Profa.Ms Inês Maria de Moraes Imperatriz, com o apoio de Carminda Nogueira de Castro Ferreira, Vice-Presidente da FEBAB; Marcia Rosetto, Presidente da FEBAB e Elizabet Maria Ramos de Carvalho, Gerente do Escritório Regional da América Latina e Caribe da IFLA.

© Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, Nova Série, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 115-120, jan./jun. 2006. 115

sábado, agosto 12, 2006

O livro morreu? Viva o livro!

Paulo Roberto Pires


Éramos 148 editores de livros e revistas. Vindos de 32 países, de Ruanda à Suécia, isolamo-nos por onze dias no campus da Stanford University para, de longe, tentar enxergar melhor os desafios de nossos mundos. “Desafio”, aqui, não é figura de linguagem: de que serve o papel impresso num mundo atolado até o pescoço de informação, entretenimento e estímulos bem mais reluzentes do que a página de livro, revista e jornal?Desde 1978 os Stanford Publishing Courses repetem o mesmo ritual, uma imersão nos problemas, complexidades, perdas (muitas) e ganhos (escassos) da cada vez mais difícil arte de ganhar a vida com a palavra impressa. No ar abafado de Palo Alto, pairava a tentação do diagnóstico alarmista: “o livro morreu?”. Nas entrelinhas de cada aula, uma resposta que tampouco se teve coragem de bradar: “viva o livro!”Stanford é o berço das novas e novíssimas tecnologias de informação. Nos alojamentos da universidade, nasceram o Yahoo e o Google. Plantada no Silicon Valley, conjuga tradição inabalável com arrojos sem paralelo. E esta identidade da universidade funciona como uma metáfora perfeita para o curso de Book Publishing: afinal este é, em todo mundo, um business muito especial, que como um outro qualquer movimenta somas espetaculares e operações transnacionais mas que, como poucos outros, depende ainda fortemente de um núcleo artesanal – que é, finalmente, o trabalho do editor.São assombrosos os números dos best sellers, assim como os valores das disputas por direitos autorais. Fenômenos como “Harry Potter” fazem com que o mundo inteiro gaste seus olhos com as mesmas histórias. Poucos grupos internacionais dominam editoras-chave em diversos países, uniformizando sucessos e buscando esconjurar o que se vê como “fracassos”. E, no fundo disso tudo, é preciso admitir, estão decisões pouco científicas ou calculadas que, por incrível que pareça, ainda fazem a diferença fundamental neste jogo pesado.Um veteraníssimo executivo americano batizou sua aula de “Meus grandes erros”. Ao longo de uma hora, contou suas inúmeras decisões equivocadas – menos como uma lição de moral do tipo “meninos, não façam o que eu fiz” do que como uma sábia advertência: o imponderável ainda é um fator determinante neste negócio, por mais que o trabalho tenha se tornado quase científico. É assim, na base da intuição, que nascem best sellers e se perdem inúmeras oportunidades “imperdíveis”.Um outro grande executivo, que saiu direto das revoltas estudantis de 1968 para o mercado do livro, não conseguiu até hoje decidir entre razão e sensibilidade. Ele já vendeu livros de livraria em livraria, já dirigiu uma mega-corporação e hoje é agente literário de sucesso. Para ele, os executivos “brincam de bingo” nas planilhas de custos enquanto o trabalho verdadeiro é decidido no olho-no-olho, no alarme que dispara na primeira leitura de um sucesso em potencial – um alarme que também, como se viu, pode perfeitamente “enguiçar”.Ambos são legítimos representantes da “velha escola”, mas acabam tendo muito em comum com os defensores mais ferrenhos das novas tecnologias e estratégias minuciosamente planejadas para o mercado editorial. E este ponto em comum é, especialmente, o fascínio pela grande qualidade tecnológica deste estranho objeto que, em qualquer lugar, pode erguer e destruir mundos, disparar imaginação, levar à ação, emocionar e fazer pensar: o livro.O fato é que não há palmtop, e-book ou qualquer outra traquitana mais inteligente do que os maços de papel encadernados que, como a gente, envelhecem e, diferentemente de nós, têm a virtude de permanecer no tempo. E aí vai pouco idealismo e bastante pragmatismo: livros e putas, escreveu Walter Benjamin, “podem-se levar para a cama”. E, relacionando uns e outras, o filósofo alemão continuava no célebre ensaio “Rua de mão única”: “Livros e putas – raramente vê seu fim alguém que os possui”.Éramos, como eu dizia, 148 editores – de revistas populares e chiques, de editoras de todos os tamanhos e personalidades, diretores editoriais e designers, proprietários de grandes empresas ou funcionário-diretor-office boy de um negócio nascente. Nas salas de aula, viramos... alunos. Havia intriga contra o colega mais chato (logo identificado), atenções especiais para as colegas bonitas, bagunça antes de começar a aula, festa depois da aula, tensão e correria na véspera de apresentação do trabalho final para os professores. Assim, distantes de nossas rotinas até nos detalhes mais cotidianos, andando de bicicleta para não perder nenhum compromisso numa intensa agenda iniciada às 8 da manhã (sem sábado nem domingo de folga), pudemos perceber o quanto podemos ainda estar tateando as novas possibilidades do livro. E, também, constatar que a melhor solução para esta “crise” do livro está no próprio livro. Ou melhor, na óbvia e difícil aposta neste objeto genial, feito de papel, costura, cola e, por que não, muita confiança no poder, ainda inabalável, da palavra impressa.prp@nominimo.ibest.com.br

segunda-feira, agosto 07, 2006

Cultura e Educação se unem para ampliar acesso de estudantes à cultura - Secretaria de Estado da Cultura

Mais estudantes nos museus, teatros e outros espaços culturais do Estado, além de participação em oficinas e cursos de formação. Essas foram algumas das propostas discutidas Secretários de Estado da Educação Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos e Cultura João Batista de Andrade para ampliar as parcerias entre as duas pastas. A idéia é unir forças para dar às crianças e adolescentes das escolas públicas estaduais uma formação cultural, escolar e de cidadania mais sólida.
Durante o encontro entre os dois secretários, ficou acertada a imediata criação de uma comissão intersecretarial para definir estratégias que devem ser colocadas em prática já no mês de agosto. O grupo será coordenado pelos secretários adjuntos das duas pastas, Carmen Vitória Annunziato e Fábio Magalhães, respectivamente.
De acordo com João Batista de Andrade, é preciso fazer um intercâmbio dos espaços culturais e educacionais para romper a distância que se estabeleceu entre duas secretarias. Estas, justifica ele, deveriam atuar muito próximas. A parceria deve incentivar a participação em atividades nos espaços oferecidos pela Cultura, como teatro, salas de concerto, museus e bibliotecas. Andrade espera que os estudantes freqüentem esses espaços e não fiquem circunscritos apenas às atividades de suas escolas.
Segundo Maria Lucia Vasconcelos, a educação e cultura são elementos indissociáveis no processo voltado para a formação dos alunos. “A Secretaria Estadual de Educação busca, com essa iniciativa, ampliar as parcerias já existentes com a Cultura (OSESP, Pinacoteca, Museu da Língua Portuguesa, Memorial da América Latina entre outras), aumentando, assim, as possibilidades de acesso ao patrimônio cultural de São Paulo", completa a secretária.
Fábio Magalhães lembra que algumas parcerias já estão em operação como as visitas monitoradas de estudantes aos museus e treinamento de professores nas salas de aula para acompanhar os alunos nessas visitas. “Desse modo, já prestamos um serviço de educação, mas iniciativas assim precisam ser ampliadas”, diz ele. “São Paulo é uma cidade sem diálogos com classes sociais e medidas assim vão permitir essa aproximação”, afirma Magalhães.
O secretário adjunto observa ainda que a Cultura tem procurado promover ações com a Secretaria de Saúde na área hospitalar, a partir da abertura de bibliotecas. Faz o mesmo com a Justiça e Cidadania – seis bibliotecas foram instaladas em presídios.

Biblioteca não é depósito de livros

Idealizador de redes de leitura em escolas diz que é função do educador ajudar os estudantes a processar as informações do acervo

Desafios como a criação do hábito da leitura entre crianças e adolescentes, as novidades tecnológicas, a ampliação do acesso ao ensino e a sofisticação do mercado editorial levaram o professor Edmir Perrotti a uma nova concepção de biblioteca escolar e de seu papel pedagógico. Com formação em Biblioteconomia — área que combinou com seu interesse em Educação —, ele é docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conselheiro do Ministério da Educação para a política de formação de leitores e autor de livros infantis. Perrotti orientou a implantação de redes de bibliotecas inovadoras nas escolas municipais de São Bernardo do Campo, Diadema e Jaguariúna, no estado de São Paulo. Nessas estações de conhecimento, como ele prefere chamá-las, a aprendizagem é estimulada pela presença de suportes tecnológicos, como o computador e a televisão.
Em um ambiente que convida as crianças a descobrir e aprofundar o prazer da leitura, os livros convivem com outras linguagens, como a do teatro. "Assim trabalha-se o contato com as informações e também o processamento delas", diz. Ex-professor da Universidade de Bordeaux, na França, e de escolas de Ensino Fundamental no Brasil, além de editor e crítico literário, Perrotti concedeu a seguinte entrevista a NOVA ESCOLA.
O que deve orientar a constituição de uma biblioteca escolar?
Ela não pode restringir-se a um papel meramente didático-pedagógico, ou seja, o de dar apoio para o programa dos professores. Há um eixo educativo que a biblioteca tem de seguir, mas sua configuração deve extrapolar esse limite, porque o eixo cultural é igualmente essencial. Isso significa trazer autores para conversar, discutir livros, formar círculos de leitores, reunir grupos de crianças interessadas num personagem, num autor ou num tema. A biblioteca funciona como uma ponte entre o ambiente escolar e o mundo externo.
De que modo se realiza essa abertura para fora da escola?
O responsável pela biblioteca tem o papel de articular programas com a biblioteca pública e fazer contato com a livraria mais próxima, além de estar atento à programação cultural da cidade. Há uma série de estratégias possíveis para inserir a criança num contexto letrado. A biblioteca precisa ter outra finalidade que não seja simplesmente a de um depósito de onde se retiram livros que depois são devolvidos. Nós não trabalhamos mais com a idéia de unidades isoladas. O ideal é formar redes, um conjunto de espaços que eu chamo de estações de conhecimento, cujo objetivo é a apropriação do saber pelas crianças.
Qual é a necessidade das redes?
Com o atual excesso de informações e a multiplicação de suportes, nenhuma biblioteca dá conta de todas as áreas em profundidade, até porque não haveria recursos para isso. O trabalho tem de ser compartilhado com outras unidades da rede, por meio de mecanismos de busca informatizados. Por exemplo: a escola guarda um pequeno acervo inicial sobre arte, mas, se o interesse for por um conhecimento aprofundado, recorre-se a uma biblioteca especializada na área. Hoje não há mais condições de manter o antigo ideal de bibliotecas enciclopédicas, que abarcavam todas as áreas de conhecimento.
Quem deve ser o responsável pela biblioteca?
Processar as informações e criar nexos entre elas é um ato educativo. O responsável, portanto, é um educador para a informação, que nós chamamos de infoeducador, um professor com especialização em processos documentais. Uma rede de bibliotecas tem uma plataforma de apoio técnico-especializado, que é a área do bibliotecário, um especialista em planejamento e organização da informação. Junto com ele trabalham os educadores, que são especialistas em processos de mediação de informação. Dar acesso ao acervo não basta para que o aluno saiba selecionar e processar informações e estabelecer vínculos entre elas.
De que modo se estimula a autonomia numa biblioteca?
É preciso desenvolver programas para construir competências informacionais. Isso inclui desde ensinar a folhear um livro — para crianças bem pequenas — até manejar um computador. Antigamente imperava a idéia de que os adultos é que deveriam mexer nas máquinas e pegar os livros na estante. Hoje deve-se formar pessoas que tenham uma atitude desenvolvida, não só de curiosidade intelectual mas de domínio dos recursos de informação. Essa é uma questão essencial da nossa época.
Por que a escola tem falhado em ensinar os alunos a processar informações?
Porque se acredita que basta escolarizar as crianças para formar leitores. De fato, a escola tem o papel de construir competências fundamentais para a leitura, mas isso não quer dizer formar atitude leitora. Hoje, o que distingue o leitor das elites do leitor das massas é que o primeiro tem um circuito de trocas. Ele participa do comércio simbólico da escrita, da produção à recepção: sabe o que é publicado, informa-se sobre os autores, encontra outros leitores etc. Já a criança da escola pública muitas vezes não tem livros em casa e só lê o que o professor pede. Ela não tem com quem comentar. Está sozinha nesse comércio das trocas simbólicas.
Qual é o mínimo necessário para o funcionamento de uma biblioteca escolar?
Estou convencido de que é a pessoa que trabalha ali, mediando relações entre a criança, a informação e o espaço. Não precisa ser alguém superespecializado, mas que compreenda a função da escrita e da imagem e que saiba qual é a importância daquilo na vida das pessoas. Assim, a compra de livros seguirá um critério de escolha consciente. É claro que é bom construir um ambiente agradável e funcional, mas não é indispensável, porque a leitura não depende das instalações da biblioteca; ela se dá em qualquer lugar.
Quem deve escolher o acervo?
Nós temos trabalhado um modelo em que a escolha é feita por todos os que participam dos processos de aprendizagem: professores, coordenadores, diretores e alunos. Formulários são colocados à disposição para que sejam feitas sugestões de compra. O infoeducador não só coleta esses dados como divulga, por meio dos quadros de aviso, as informações sobre lançamentos que saem na imprensa e na internet. Depois, ele vai analisar os pedidos, separá-los em categorias — livros importantes para os projetos em andamento, leituras de informação geral ou complementares etc. — e, com base nessas listas, a escolha é feita de acordo com os recursos disponíveis.
Como comprometer o aluno com a organização e a manutenção da biblioteca?
Ele participa da escolha do acervo e também pode estar pessoalmente representado nele, por meio de livros que ele escreve e de documentos de sua passagem pela escola. Uma parte do acervo vem da indústria cultural e outra é produzida internamente, com documentos e relatos referentes à história da instituição. Formar um repertório de dados locais cria relações com as informações universais.
Descreva a biblioteca escolar ideal.
É aquela que possui todo tipo de recurso informacional, do papel ao equipamento eletrônico. O espaço é construído especialmente para sua finalidade e de acordo com quem vai usar. Se o público majoritário é infantil, a disposição dos móveis e do acervo deve permitir que a criança se mova com autonomia. É preciso ser um local acolhedor, mas que empurre rumo à aventura, porque conhecer é sempre se deslocar.
Por que se diz que os jovens não gostam de ler?
Os interesses mudam na passagem da infância para a adolescência e a leitura que era feita antes já não interessa tanto, mesmo porque cresce a concorrência de outras mídias. Essa é uma transição crítica e ainda não foram definidas ações específicas para promover a leitura nessa faixa etária. Os adolescentes identificam o livro com as tarefas da escola, que reforça essa percepção porque raramente sai da abordagem instrumental da leitura. E no âmbito social, entre os amigos, a leitura não está presente. Mesmo assim, essa fase é a das grandes paixões. Portanto, há um espaço enorme para promover a leitura entre os jovens.
É possível formar leitores por meio de políticas públicas?
O problema é saber que caráter elas têm. Eu não concordo com estratégias que pretendam ensinar os alunos a gostar de ler. A função do poder público é criar ambientes que dêem condições de ler, tentar despertar as crianças para as potencialidades da escrita, prepará-las para as competências leitoras — enfim, providenciar para que seja constituída a trama que sustenta o ato de ler. Mas gostar de ler é questão de foro íntimo, não de políticas públicas.
A escola deve obrigar um aluno a ler livros e freqüentar bibliotecas mesmo que ele não goste?
Não se pode deixar de perguntar por que esse aluno não gosta de ler. Ele teve uma relação negativa com a situação de aprendizagem? Ninguém lê em casa? Tem dificuldades de visão? Não domina o código? Não tem circuitos culturais a sua volta? Tudo isso pode e deve ser trabalhado. Agora, se ele teve apoio para experimentar a prática da leitura e prefere fazer outras coisas, não adianta forçar. É claro que não estou falando da leitura funcional, indispensável para a vida diária. Nesse caso, é obrigatório negociar com a criança o "não querer ler".
É melhor ler literatura de má qualidade do que não ler nada?
A pergunta já supõe que de fato existe uma literatura de má qualidade. Há leitores que são capazes de voar longe com um suposto mau livro, assim como há muitos trabalhos escolares que se utilizam de grandes textos, mas sufocam o interesse de aprender. Por outro lado, não é possível deixar o gosto do leitor imperar sozinho. É fundamental operar mediações entre as crianças e uma literatura que tenha condições de produzir significações importantes.
O uso do livro em sala de aula está em decadência?
Ele está aquém do que gostaríamos que fosse e também do que seria necessário. Mesmo assim, o livro está entrando nas escolas numa medida que não entrava, nem que seja por meio das distribuições feitas pelo Ministério da Educação e as secretarias estaduais e municipais. Há 50 anos nem sequer se sonhava com isso no Brasil. O problema maior é o de mau uso desses livros, com estratégias impositivas de leitura. Muitas vezes falta penetrar no avesso dos textos com as crianças e realmente mergulhar numa viagem de conhecimento, de imaginação.
Até que ponto as bibliotecas levam ao hábito da leitura?
Eu participei de uma pesquisa feita com as crianças usuárias das redes de biblioteca que ajudei a implantar no estado de São Paulo. Queríamos saber se elas estão incorporando a leitura a sua prática de vida e não apenas como lição de casa. Qual é a constatação? Houve um grande avanço e as crianças se mostram muito mais familiarizadas com os livros, mas infelizmente ainda não usam as novas competências para trocas culturais. Por exemplo: não têm o hábito de comprar e emprestar livros. A prática escolar não se transferiu para a prática cultural.
Há perspectiva de mudança para essa situação?
Eu vejo uma tendência de funcionalização. Os meios eletrônicos trouxeram, aparentemente, uma presença maior da escrita, mas o uso que se faz dela é cada vez mais abreviado. Vai-se transformando a língua no elemento mínimo para a transmissão da mensagem. Nós estamos a anos-luz de formar pessoas que, ao cabo do período de escolaridade, vão se relacionar com a escrita como uma ferramenta de conhecimento e de experiências estéticas, numa dimensão não pragmática. Restringir as ferramentas de linguagem a sua função utilitária é retirar de nós mesmos aquilo que nos humaniza — a capacidade de dizer de uma forma articulada. As novas bibliotecas têm de enfrentar essa questão.
"A biblioteca funciona como uma ponte entre o ambiente escolar e o mundo externo"
"Falta penetrar no avesso dos textos e mergulhar numa viagem de conhecimento"
"Dar acesso ao acervo não basta para que o aluno saiba processar as informações"

Quer saber mais?

Bibliografia

Confinamento Cultural, Infância e Leitura, Edmir Perrotti, 112 págs., Ed. Summus, tel. (11) 3865-9890, 22,50 reais

INTERNET
No site www.saobernardo.sp.gov.br/secretarias/sec/rebi/, você encontra informações sobre a Rede Escolar de Bibliotecas Interativas de São Bernardo do Campo, idealizada por Edmir Perrotti

domingo, julho 30, 2006

Projeto Biblioteca sempre um papo

A escritora Marina Colasanti participa do lançamento do projeto "Biblioteca Sempre Um Papo", que prevê a adoção de bibliotecas públicas de cinco Centros Comunitários de Belo Horizonte. No dia 3 de agosto, a partir das 15 horas, a escritora, assim como autoridades do poder público municipal, estadual e federal, farão uma visita à biblioteca do Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira, na Pedreira Prado Lopes e serão recebidos com festa pela comunidade. Neste dia, será assinado um convênio de cooperação entre a Fundação Municipal de Cultura e a Associação Cultural Sempre Um Papo. O Centro Comunitário Liberalino Alves de Oliveira fica na Rua Araribá, 975 (antiga caixa d´água), Pedreira Prado Lopes, em Belo Horizonte.
Livrarias descobrem a Alameda Lorena

A Alameda Lorena está atraindo a atenção dos livreiros paulistanos. A rua, localizada no sofisticado bairro dos Jardins, terá outras opções de lazer até o final do ano. Perto da rua Oscar Freire, onde estão lojas de grifes badaladas, e distante da avenida Paulista, endereço de várias livrarias, o local é a nova aposta da Livraria da Vila e da Lima Barreto.
Sergio Zacchi / Valor Samuel Seibel, proprietário da Livraria da Vila, abrirá uma loja de 850 metros quadrados na rua do bairro dos Jardins em novembro
Em novembro, Samuel Seibel, proprietário da Livraria da Vila, abrirá uma loja na Lorena, entre a ruas Haddock Lobo e Bela Cintra. Segundo o empresário, a unidade terá 850 m², com capacidade para abrigar um espaço para cerca de 100 mil livros e um café. "Escolhemos a Lorena porque é descolada e descontraída", diz.
O executivo não é o único a ter essa visão. Miguel de Almeida, proprietário da editora Lazuli e da Livraria Lima Barreto, também escolheu a mesma localização para fazer a mudança de sua loja, que está há um ano e meio no bairro Pinheiros. "A locação do imóvel na Alameda Lorena está quase fechado", afirma. A unidade terá uma área gastronômica também.
O café e o restaurante são armas para enfrentar as concorrentes que já se instalaram no local. Em janeiro, foi inaugurada uma loja da Livraria Nobel, de 250 m², com um espaço para café. A gerente financeira da loja, Zenilde Rateiro, disse que havia uma demanda por esse tipo de serviço. "A nossa loja já supre a região. Não acredito que exista espaço para outras duas", diz.
Há mais tempo no local, cerca de 10 anos, a Farah Livros e Revistas fica mais distante do "burburinho". Menor, a loja está mais voltada para a venda de revistas.

domingo, julho 23, 2006

Ultimamente tenho postado textos em espanhol, mas acho importante ter uma visao ampla de nosso mundo latino-ibero, ou ibero-latino na área da leitura, biblioteconomia e ciencia da informaçao...As leituras dos blogs dos nossos colegas brasileiros, latinos, espanhois, portugueses nos conduzem a reflexões sobre a biblioteonomia no Brasil.
Ciudades lectoras

Do Blog La Coctelera: Ranganatha2 www.espacioblog.com/ranganatha2/blog

Conforme se va afianzando la “Sociedad de la información y del conocimiento” cada vez se va viendo con más claridad la necesidad de un ciudadano que esté a la altura de la nueva sociedad que se está constituyendo. Y una de las características de este nuevo ciudadano es que sea lector, que la lectura forme parte de sus hábitos. Difícilmente se podrá llegar a ser una sociedad del conocimiento si sus ciudadanos no son lectores. Este convencimiento es el que ha llevado a autores como Michel Piriou y a la “Association française pour la lecture” a proponer el concepto de “ciudad lectora”, es decir, que “una ciudad de hoy podría presentarse como aquella donde sus habitantes están mejor formados”, y eso es lo que pretenden las ciudades lectoras.
Piriou piensa que “el procedimiento social que existe al aprender a leer es algo más que un simple hecho cultural o educativo, es un hecho de ciudadanía” y si es un hecho de ciudadanía es lógico que la ciudad apoye estas prácticas lectoras. Si queremos que los ciudadanos sean lectores nada mejor que contar con un entorno lector, esto es lo que pretenden las ciudades lectoras.
En Francia esta iniciativa ya ha dado lugar a la “Federación de ciudades lectoras”, el objetivo es la elaboración de una política global de lectura en la ciudad. Si el entorno es lector será más fácil que los ciudadanos sean lectores. El “convenio de ciudad lectora”, se suele establecer entre la Administración y la ciudad, y se establecen en el mismo todas las actuaciones que llevarán a esa ciudad a poder considerarse ciudad lectora. La idea que subyace es que “la lectura no es algo que tan solo se aprende en la escuela, o que se mantiene yendo de vez en cuando a la biblioteca”, la lectura es una herramienta para pensar, para ser un ciudadano crítico, para cambiar el mundo y a uno mismo.
En España, que sepamos, la “ Asociación Navarra de Bibliotecarios”, ha empezado a moverse para organizar una red de ciudades lectoras navarras. En Granada en lugar de que nuestro Ayuntamiento gaste su esfuerzo y energía en organizar el día de la Toma, que cada vez deriva más hacia una fiesta de exaltación franquista, bien se podía dedicar a negociar con la Junta para convertir a Granada en “ciudad lectora”.
Ah, y cuando hablamos de lectura no nos referimos solo a la tradicional, sino también a la digital. Al igual que también vemos la lectura tanto como una fuente de conocimiento como de entretenimiento.