domingo, agosto 12, 2007

Terminal de ônibus de Sorocaba tem biblioteca
O Estado de S. Paulo - 07/08/2007

Desde a semana passada, passageiros de ônibus de Sorocaba não precisam apresentar documentos nem preencher cadastro para retirar livros num posto avançado da biblioteca municipal. O guichê está instalado no terminal Santo Antonio, o principal do sistema público de transporte da cidade.

Basta escolher o título, que deve ser devolvido em até 15 dias. O projeto “Vai e Vem” colocou cerca de mil livros à disposição e recebe doações. O posto abre três dias por semana, das 10 às 19 horas. O projeto estimula a leitura e a responsabilidade, já que não tem como cobrar a devolução dos livros.

terça-feira, abril 24, 2007

No mês de março, foram promovidas visitas monitoradas pela Biblioteca da UNESP, campus de Bauru, para a apresentação da biblioteca e do sistema on-line de acesso ao acervo bibliográfico, com o objetivo de adaptação dos calouros ao novo ambiente e suas implicações.

As visitas foram agendadas pelo coordenador de cada curso no campus, diferentemente do que ocorria em anos anteriores (em que as visitas eram agendadas pelos próprios alunos, superlotando as salas de visita). Foram divididas por turma, de modo que todos os alunos conheceram as características da biblioteca num ambiente que acomodasse a todos.

Durante as visitas, programadas em três horários diários, bibliotecários e um técnico em biblioteconomia acompanharam os alunos às diversas instâncias da biblioteca, fornecendo informações a respeito do acervo e do sistema on-line de acesso ao mesmo, através do catálogo Athena. Foram disponibilizadas informações como: datas e prazos de empréstimos, reservas, conservação e renovação de livros, bem como a ocorrência de multas e penalidades, em relação aos mesmos.

Maith Martins de Oliveira, bibliotecária supervisora da UNESP, afirma que "as visitas à biblioteca são de extrema importância, pois durante as mesmas os estudantes têm acesso a informações e serviços mais amplos do que apenas os relacionados ao acervo e sua utilização, como, por exemplo, os serviços de Base de Dados, Comutação Bibliográfica - COMUT e Empréstimo entre Bibliotecas - EEB, serviços que articulam diversas bibliotecas do município e do país".

Para a apresentação do catálogo Athena, sistema on-line através do qual é possível realizar as transações de empréstimo, reserva e renovação de volumes, foi disponibilizada uma sala de demonstração, contendo cerca de 15 computadores, para que os alunos pudessem acessar, não somente o sistema Athena, mas também a página da biblioteca e o boletim informativo da mesma, atividades realizadas sobre monitoramento.

Segundo a bibliotecária, "durante as visitas, os alunos não dispõem de muitas dúvidas, aparentemente, mas estas surgem no decorrer do ano, na utilização efetiva da biblioteca; para sanar possíveis dúvidas e auxiliar na utilização do sistema, os funcionários da biblioteca estão sempre disponíveis".

Outra inovação se refere a visitas periódicas a biblioteca, que ocorrem durante o ano, para alunos veteranos, agendadas por professores dos diversos cursos. De acordo com a bibliotecária, "para os alunos veteranos, acostumados com o sistema antigo de acesso ao acervo, a adaptação ao sistema on-line Athena é muitas vezes difícil". Para sanar este problema, as visitas dos alunos veteranos a biblioteca surge como uma alternativa, inserindo-os na pesquisa ao banco de dados.

Entre as diversas iniciativas promovidas pela UNESP, campus de Bauru, para auxiliar na adaptação aos alunos ingressantes no ano de 2007, como, por exemplo, a Semana de Integração, as visitas monitoradas a biblioteca promovem maior autonomia discente, possibilitando que os alunos direcionem sua vivência acadêmica segundo seus interesses.
Para maiores informações a respeito da biblioteca e os serviços prestados por ela, é possível acessar o site http://www.biblioteca.bauru.unesp.br/

Fonte: Unesp

domingo, fevereiro 18, 2007

Biblioteca Mário de Andrade

Pensando neste ideal de biblioteca, é impossível não lembrar da contribuição de Sérgio Milliet para a Biblioteca Mário de Andrade e para a cidade de São Paulo. Grande conhecedor de artes plásticas no país, Milliet foi o terceiro diretor da biblioteca e nela atuou de1943 até 1959. Durante estes 16 anos elevou-a a um padrão internacional, sendo desta época a relação desta com a Biblioteca Nacional de Paris. Atento ao plano de preservação que constituiu desde o início o plano principal da Biblioteca Mário de Andrade, Milliet criou em 1945 a sala de Artes, nela agrupou testemunhos e registros significativos para a história da arte e da cultura. Para Sérgio Milliet o legado artístico de cada geração deveria ser preservado, para que as futuras gerações pudessem entender, através destes testemunhos, não apenas o passado, mas o próprio presente. Assim, a biblioteca oferece ao público um dos acervos mais expressivos do país, destacando-se dentre suas coleções mais importantes as de Referência, Artes, Mapas, Obras Raras e Periódicos, num total de mais de mais de 3 milhões de itens. Conta ainda com os Serviços de Multimeios, Microfilme, Reprografia e com um acervo para empréstimo domiciliar, feito pela sua Seção Circulante. Oferece várias atividades culturais, através de sua Seção de Extensão Cultural e Colégio de São Paulo, como cursos, palestras, oficinas literárias, exposições, recitais e shows musicais. O público freqüentador é heterogêneo, formado na sua maioria por estudantes universitários e de nível médio, pesquisadores e profissionais das mais diversas categorias, cuja afluência é decorrente da qualidade do acervo e da localização privilegiada da biblioteca na cidade.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

RDBCI , V. 4, N° 2 (2007)

Pesquisas na web: estratégias de busca
Searching on the web: search strategies
p. 53-66


Elias Estevão Goulart, Universidade IMES
Annibal Hetem Junior, Centro Universitário da Fundação Santo André



Resumo

A World Wide Web tem sido utilizada amplamente para a busca e seleção de informações, resultando em um de seus principais empregos como suporte para atividades acadêmicas e profissionais. Este trabalho apresenta um estudo sobre as estratégias de busca de informações na World Wide Web, visando analisar e comparar os resultados de uma pesquisa exploratória com estudo similar realizado na Universidade de Telaviv. Apresenta-se nove formas possíveis de buscas e como elas foram utilizadas nos estudos comparados. Como resultado, são apresentadas as mais efetivas e sugere-se melhor treinamento dos usuários para o conhecimento das técnicas apresentadas.

Palavras-chave
Estratégias de busca; Internet; World wide web

Abstract
The World Wide Web has been largely used for searching and selecting information, and is one of the most important tools to support academic and professional activities. This work presents a study about information search strategies on the world wide web, seeking to analyze and compare the results of a similar exploratory research implemented at Telaviv University. It presents nine possible ways of information search and how they were compared in both studies. As a result, the most effective of the strategies are presented and users training are suggested as the best way to make them aware of the discussed techniques.

Key words
Search strategies; Internet; World wide web

domingo, fevereiro 11, 2007

Em prédio contemporâneo com ar de sebo, 1,28 km de livros

Livraria da Vila abre outra loja, desta vez na Alameda Lorena, Jardins, para deleite dos leitores

Daniel Piza

Quem passeia pelas ruas dos Jardins, com suas lojas, restaurantes, hotéis, cafés e sorveterias, que sugerem poder aquisitivo e bom gosto, imagina que poderia haver ali uma livraria muito boa. Agora não precisa mais imaginar. Daqui a cerca de três semanas, no número 1.731 da Alameda Lorena, o bairro ganha a Livraria da Vila. A nova unidade da livraria que nasceu em 1985 na Vila Madalena - e que há dois anos abriu filial na Casa do Saber, no Itaim - foi projetada por Isay Weinfeld e terá, além de 130 mil livros, um andar para DVDs e CDs, um café e uma sala para cursos e palestras.'É uma loja nova; tem nossa marca, mas não é igual', diz Samuel Seibel, o proprietário das livrarias. 'Não se trata de uma franquia. Nossa idéia nunca foi ter uma rede.' A livraria da Lorena, apesar de cerca de 30% de volumes a mais, terá perfil semelhante à da Fradique Coutinho: um acervo que não se limita aos lançamentos mais recentes e inclui o chamado 'fundo de catálogo', como os clássicos; forte ênfase na seção infantil, que ocupa todo o andar inferior; atendimento qualificado, aberto a encomendas; e realização de muitos eventos, como noites de autógrafo. Mas terá particularidades, como o destaque a livros de arte, fotografia e culinária. E, claro, o projeto de Weinfeld.'Sempre fui admirador da arquitetura dele', diz Seibel. 'Achei que o Isay seria um dos poucos capazes de criar uma linguagem clara, funcional, e ao mesmo tempo com muito charme, com um clima acolhedor.' Seibel diz que a livraria, como a da Fradique, é encarada como 'um ponto de encontro, um pólo cultural', e para isso o projeto era fundamental. Weinfeld diz que é justamente esse o motivo por que está achando 'fascinante' o trabalho. 'Eu tentei criar uma livraria como as que gosto de freqüentar, um lugar onde o cliente sente vontade de ficar.' Em cidades como Rio, Londres e Nova York, é comum encontrar livrarias assim. Em São Paulo, não.COM JEITO DE SEBOA livraria fica num dos quarteirões menos agitados da Lorena, entre os restaurantes Z Deli e Piola, onde antes havia uma loja de Fause Haten. Mesmo em obra, já se pode perceber que o espaço combinará quantidade com critério. Não há nada que lembre o estilo 'megastore' cada vez mais presente no setor. 'Quis dar à livraria um jeito parecido com o dos sebos', conta Weinfeld, apontando o desalinhamento de algumas das prateleiras, que são de cor marrom escuro (exceto no andar dos infanto-juvenis, onde são brancas). 'É uma pseudo-desorganização', define. Mesas de madeira antigas, de grandes designers brasileiros, serão tomadas por pilhas de livros e luminárias. Sofás com tecido jeans, encaixados entre as estantes, e poltronas espalhadas completam o ambiente 'lotado de livros'.O aconchego também se verá nos outros andares. No superior, onde ficarão os CDs e DVDs, ao lado de livros sobre esses temas (música e cinema), fica o café, com sete mesas na parte interna e três na externa. No inferior, haverá quatro 'buddha begs' - grandes pufes coloridos - para que as crianças sentem e, além de ler, ouçam contadores de histórias. O auditório, com cerca de 50 lugares e vista para um jardim lateral, fica nesse mesmo piso. Toda a tipologia da livraria, ao mesmo tempo prática e refinada, foi desenvolvida por Roberto Cipolla. Os rodapés e caixilhos embutidos, até mesmo dos aparelhos de ar-condicionado, têm a marca do escritório de Weinfeld.O estilo de Weinfeld, naturalmente, pode ser reconhecido desde a fachada (veja o croqui nesta página). O recuo de formas retas, pontuado por uma árvore e um banco à direita, além de um pequeno jardim ao longo do muro oposto; a fachada com um bloco de concreto cinza encimado pelo letreiro em fundo vermelho; e as portas pivotantes, ocupadas como estantes de livros, que ao fechar formam uma ampla vitrine horizontal - esses são apenas alguns elementos característicos. Dentro, além do jogo entre as texturas dos sofás e tapetes com as longas fileiras de livros, vemos também a grande escada sob luz zenital e uma série de detalhes que enriquecem a experiência arquitetônica do visitante.O toque mais original fica por conta dos dois vãos que conectam visualmente os andares. Do térreo para o superior, o vão é quadrado e marrom, com as laterais cobertas de livros para cima e para baixo. Do térreo para o inferior, ele é oval e branco, também emoldurado por livros, e dali mesmo já vemos que os elementos curvos distinguem o ambiente infanto-juvenil.O que deverá impressionar, mais uma vez em Weinfeld, é que um terreno de 10 por 40 metros se multiplique em três pisos de pé direito médio (diferentemente do que ocorre na Vila Madalena) a ponto de abrigar não só 1,28 km lineares de livros, mas também 12 mil CDs e 3,6 mil DVDs, sem dar a sensação de abarrotamento. Sorte do bairro, sorte da cidade.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Leitura e Animação Cultural - repensando a escola e a biblioteca - organizado por Tania M. K. Rösing e Paulo Becker.Editora UPF

Resenha abaixo
Repensando a Leitura, Animando a Escola e a Biblioteca:A cura para o analfabetismo cultural

Luís Peazê*

Com este tomo de Leitura e Animação Cultural – repensando a escola e a biblioteca nas mãos, me ocorreu a analogia com uma frase de um carpinteiro naval amigo, sobre a construção dos barcos de madeira. Disse-me ele: quando se constrói um barco realizando um sonho, a alma que habita o tronco das árvores vai aos poucos se integrando com a alma do próprio sonhador e ali começa a história de ambos, que nunca mais se dissociam um do outro, barco e construtor.
Falar de barcos, leitura, sonho e livros é um movimento natural e recorrente para mim, da mesma forma deveriam ser indissociáveis a escola da biblioteca, estas da cultura, e obviamente os agentes sociais dos livros e multimeios de leitura, produzindo todos juntos uma onda orgânica e realimentadora do saber. E foi exatamente esta visão que eu tive logo na apresentação feita pela Professora Tania Rösing, desta coletânea de artigos, produzidos a partir da discussão e reflexão dos princípios e metodologias desenvolvidas no curso de Especialização em Leitura e Animação Cultural, do Centro de Referência de Literatura e Multimeios da Universidade de Passo Fundo, RS.
A visão, contudo, se deu pelo viés do "na-prática-não-é-isto-que-acontece" na conclusão que a Prof. Tania faz ao comentar a importância da dinamização de bibliotecas escolares e a transformação de bibliotecas em centros multimidiais de promoção de leitura, posto que a leitura é prática social de interesse de todas as áreas do conhecimento, "especialmente quando se constata um analfabetismo cultural em diferentes segmentos profissionais". Afirmação forte, mas discorde se for capaz – pronto, o livro se torna um desafio. A cura.
E a sua leitura é animada, poderia não ser, quando se entende o seu propósito: um livro que ensina a se ensinar a ler, e onde se aprender a ler, neste caso quem não for um educador de leitura, sabendo que, para ensinar a ler tem-se que aprender a ensinar aprendendo com os leitores. Por fim, para se ensinar e aprender qualquer matéria, saber ler é fundamental.
Eu sei ler? Perguntei e mergulhei no primeiro capítulo, "Contribuições Teóricas para o desenvolvimento do leitor: teorias de leitura e ensino", pensando, honestamente, que fosse marear logo nas primeiras vagas, e quando me dei conta estava já em alto mar, lendo inclusive o contraste não apenas sonoro entre o português e o espanhol desta edição bilíngüe.
O interessante, e aí aparece o mérito dos organizadores, é que os textos se coadunam indiferentes às preferências cognitivas dos seus autores, pois, se um opta pelo registro in loco da referência bibliográfica, que remete o leitor ao rodapé e dali às estantes das bibliotecas propriamente ditas, o outro escolhe o subterfúgio da expressão coloquial, para, ambos, criarem imagens que podem remeter o leitor criativo à produção de um conto, se quiser. Por exemplo: ao estabelecer um paralelo entre alunos de leitura que provêm de famílias com pouca ou nenhuma escolaridade, diga-se, não acostumados com bilhetes domésticos, leituras e referências a jornais, revistas e, francamente, nem a livros, e alunos que aculturam-se socialmente através inclusive destes meios de leitura e hábitos e costumes qualquer coisa sofisticados, um dos autores aproveita para criar-nos mentalmente uma biblioteca de referências imperdíveis, tais como em Bamberger, Bakhtin, Terzi, Rojo, Shirley B. Heath, por aí. E temos ou não temos assim, um cenário real, factível? Daí, como aprender e ensinar leitura neste contexto?
Outro autor, como se tivesse combinado com o anterior, refere-se à conhecida afirmação de Paulo Freire: "A leitura de mundo precede a leitura da palavra". O caso da criança que abre os olhos e lê o teto, os corpos gigantes das pessoas curvadas olhando para dentro do berço, depois ela lê as árvores, o vento, os animais, as coisas ao redor e aquilo que lhe servem à boca, quando um belo dia todos os substantivos são reapresentados a ela com este sobrenome e um nome próprio, ela descobre a palavra, as regras escritas e começa a ler o mundo novamente, agora através do letramento. Mais adiante o mesmo autor nos põe também na cena de um conto a ser escrito, lembrando o hábito de crianças ainda não alfabetizadas imitando o gesto dos adultos lerem – a idéia é para afirmar que a leitura está definitivamente introjetada no modus vivendi do homus sapiens, mas o conto está ali antes de tudo. E estamos lendo, inclusive lendo nas entrelinhas deste próprio livro que ensina a ensinar a ler.
E assim por diante seguem-se os demais artigos, inclusive citando a bibliografia dos organizadores, uma simbiose singular em livros do gênero. Nesta altura, se o livro nas suas mãos pecou foi em reafirmar sistematicamente a necessidade da criação de Centros de Promoção de Leitura de Múltiplas Linguagens e não vir com sons, cheiros, desenhos animados e coloridos, eletrônicos, interconectados, e com textos interativos e multimidiais. O que seria impossível, portanto um pecado inescapável, absolvido. Isto é, ainda estamos com o velho livro nas mãos, e lendo sobre tudo isso, sobre uma terra a ser descoberta. Talvez um dos motivos para não termos chances de marear, estando bem ocupados trabalhando sobre o convés da leitura.
A propósito, a hiper organicidade textual citada acima é abordada no livro de modo sintético, mas com mérito que merece destaque, posto que o assunto é tão novo quanto extenso, é tão desconhecido quanto afugenta àqueles que dele conhecem pouco ou nada, criando um escudo de inibição, no caso dos educadores. "Na verdade, a resistência em discutir os novos mídias em sala de aula parte geralmente da insegurança do próprio professor, que, de um lado, não domina ainda esses equipamentos e, de outro, também se sente excluído".
E a primeira parte termina, contudo sem antes deixar de assumir contornos ligeiramente difusos no artigo intitulado "Como planejar a pesquisa em leitura". Mas eu perguntaria: como ensinar a planejar pesquisa em leitura para ensinar a ler, em apenas um artigo? Talvez então, este artigo seja o que demande uma leitura mais atenta do que os outros, ou mais lenta, mais reflexiva, cerebral, abstrata. Quem sabe.
Corta para a Formação do leitor infanto-juvenil, pois até aqui não havia uma idade definida para o nosso público alvo, portanto, supondo que a resenha de um livro que pretende ensinar a ensinar a ler esteja sendo lida somente por adultos, cuidado, entrar-se-á numa área em que nós adultos afundamos no nosso passado e nos recusamos ao resgate de nós mesmos, embora afirmem os psicólogos de plantão, seja esta a saída para todos, nunca naufragar por opção. Sendo assim, coragem, viremos a página e rumemos para a "Natureza e funções da literatura infantil". E tenhamos uma aula de história, para nunca mais utilizar a expressão "cara de bobo como se estivesse num conto de fadas". Os contos de fadas nem sempre comportam as fadas, tampouco desaguam em finais felizes. Pensemos: quanta diferença há entre narrar um conto para uma criança conhecendo as suas fontes, e narrá-lo com a mesma ignorância dos infantes? Ora, se acreditamos que aqueles três porquinhos vivem exatamente como naquela última edição encadernada com capa dura e ilustrações recentes, não haverá nada, um gesto, um tom de voz, um sinal de que há um algo mais, verdadeiro, na história, e ela fica como em nós mesmos, submersa no passado, para sempre. Os dois primeiros artigos são meritórios exatamente por isso, não nos convidam somente a fazer chover batendo com as pontas dos dedos, depois com as palmas das mãos e finalmente com os pés, levando a audiência a imaginar um temporal sobre o telhado. O texto explica e explica bem. Uma aula. Nem por isso o façamos como num quadro de Bruguel (Jogos Infantis) em que ele retrata as brincadeiras de rua com os personagens sem nenhum sorriso nos lábios. E, novamente, adquire-se uma biblioteca, pois um dos artigos tem um lastro de três páginas com referências bibliográficas, portanto valoriza-se aqui o conteúdo – para a forma e estilo há muito tempo nesta própria resenha faz-se vista grossa. Sem culpa.
Parte três, terra à vista: A biblioteca como centro de ações educacionais e culturais. Já anunciava em sua apresentação, a Professora Tania Rösing, na França a biblioteca é um centro irradiador de conhecimento que modela o sistema de ensino. A biblioteca como eixo estruturador curricular. Aos livros! Aos espaços de leitura, aos projetos, conteúdos e animação cultural, à leitura na biblioteca multimídia, entre o poder e o desejo, à sala de leitura como espaço de animação cultural, à política educacional... Apesar destes títulos, os artigos não têm necessariamente o tom de planfletagem, mas não deixam de ser um mote com sabor de um novo paradigma, ou de uma sugestão de novo paradigma, necessário. Com destaque à experiência da Universidade de Extremadura, através do seu seminário interfacultativo de leitura como plataforma de cooperação entre instituições, pela novidade que representa para o educador/leitor brasileiro, e por ser o mais extenso dos artigos do livro – com algumas reservas pode-se, guiado por ele, provavelmente montar-se uma biblioteca modelo – bem didático. Estrategicamente colocado antes do artigo que transporta a contribuição francesa para o tomo, uma referência para os tomadores de decisão na esfera estrutural de ensino oficial.
E aqui, a poucas páginas do colofão, "A biblioteca e a sala de leitura como espaço de animação cultural" se nos abre diante dos olhos com um poema de Antonio Cícero, Guardar, fazendo analogia com o significado da palavra biblioteca que ao contrário de sua origem etimológica não deve permanecer associada à caixa de livros, ao lugar sombrio, inóspito, ranzinza. Se faltava poesia já não falta mais, naveguemos no que o autor sugere, num "território de produção de sentidos".
O fechamento deste livro de coletânea de artigos sintetiza o seu vasto conteúdo no seu último título: "ressignificando a escola", de modo que a biblioteca deve assumir um novo status no processo educacional e cultural. Ponto.
Resumo este produzido por um dos organizadores, não por acaso o criador há vinte e dois anos da maior movimentação cultural literária no Brasil, as Jornadas Nacionais de Literatura, que nasceram no seio do Mundo da Leitura, apelido carinhoso do Centro de Referência e Multimeios da Universidade de Passo Fundo, embrião para o curso de especialização em leitura e animação cultural, fonte para o presente livro, a pura realização de um sonho. Que de agora em diante passa a conter a mesma alma, embarcação e autores, numa coisa só. Leia mais>>>.
Os artigos citados acima são de autoria dos professores Tania Rösing, Paulo Becker, Hercílio Fraga de Quevedo, Maria Fátima Ávila Betencourt, Cláudio Joaquim Paiva Wagner e Eliana Teixeira (UPF); Sérgio Capparelli (UFRGS); Vera Teixeira de Aguiar e Luciana Lhullier Rosa (PUC-RS); Nanci Gonçalves da Nóbrega (UFF); Angela Kleiman (Unicamp); Leiva de Figueiredo Vianna Leal (UFMG)

terça-feira, janeiro 02, 2007

Esse tal de contador de histórias

Grupo Morandubetá

Por esses dias recebemos um e-mail com uma pergunta de um "navegador": O que é um contador de histórias?
Ficamos nos questionando sobre qual resposta daríamos. Qual seria essa definição. A pergunta nos fez refletir sobre o nosso trabalho. Quem somos nós? Como somos vistos aos olhos dos outros? O que é na verdade o nosso fazer? E descobrimos que existem muitas definições para os contadores de histórias. Descobrimos que existem diferentes espécies...Vamos explicar melhor.
Existem aqueles que contam histórias que aprenderam. Geralmente são histórias que gostaram e contam pelo prazer de falar e de serem ouvidos. Quase sempre a realização é mais pessoal que material, porém às vezes tentam ganhar algum dinheiro para contar e aceitam qualquer coisa. Com o tempo o repertório se esgota, fica repetitivo e vai cansando o ouvido dos outros.
Há os que resolvem ensinar o que não sabem e vivem dando cursos e escrevendo livros. Mas não dizem as palavras, não contam as histórias, não constroem a narrativa. Apenas ensinam, ensinam, ensinam. O quê? Nem eles mesmos sabem.
Um outro tipo é o que pensa que conta, que pensa que ensina, que pensa que escreve e além disso agencia e explora os artistas. Suga a essência vital do contador para ganhar o dinheiro e a fama que jamais teria com o talento que não possui. Aproveita-se da situação, dos conhecimentos (pessoais, políticos, familiares...) e ganha sem fazer esforço, sem "mostrar a cara", sem contar histórias. ESSES SÃO TERRÍVEIS!
Tem os que exageram e utilizam tantos adereços e "caras e bocas" que a narrativa se perde no meio de apelos redundantes.
Também não podemos esquecer dos artistas financeiramente insatisfeitos que buscam no ato de contar histórias apenas o lucro, não acreditando que seja um trabalho artístico.
Agora, existe o artista que é artista por natureza, que de nada precisa a não ser da palavra, do gesto e do olhar do seu ouvinte. O artista é sempre grandioso. Traz na alma a emoção e contagia a todos.
E há ainda os que têm o desejo do artista, acreditam no que fazem e o fazem com a alma, porque o corpo emprestam aos personagens das histórias. Investigam, pesquisam, inovam, escrevem, ensinam e aprendem muito, muito mais. Possuem um trabalho artístico e também são formadores de cidadãos mais conscientes, críticos e questionadores. Seus ouvintes não escutam apenas histórias, escutam no fundo de cada palavra a fala de educadores e formadores de leitores. Por que para esses que chamamos de narradores e pesquisadores da arte de contar histórias: leitura, educação e cidadania andam sempre juntas.
Temos certeza que deve haver outras espécies de contadores e aos poucos vamos descobrí-las. Elas estão crescendo e se multiplicando. Infelizmente também estão se vulgarizando e usando o nome do contador em vão, sem perceber ou se importar com o valor da palavra.
Contar histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar...pelo livro... pela história... pela leitura. E tem gente que ainda duvida disso.
O contador é aquele que diz , por isso precisa saber bem o que irá dizer. Precisa ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento. Talento de sedução. Se fazer ouvir não é tão fácil assim, ainda mais quando atendemos a um público sem idade.
Contar histórias é uma arte e quem faz arte é artista, está no sangue, na alma. Quem faz arte não pode temer. Tem que encarar. A arte tem um preço. Tem um valor. Mas infelizmente sabemos que nem todo mundo tem olhos para admirar a arte, nem tem dinheiro para pagar o preço. E aí se confundem na escolha. E preferem qualquer coisa ao invés do nada.
Mas não podemos entrar nesse jogo, nem fazer menor. Este não é um trabalho para multidões, mas para um público que se sente seduzido pela palavra. Nós não "exploramos" o corpo, nem vulgarizamos a palavra, contamos histórias. Sem exageros ou excessos, com simplicidade e sutileza. E nunca estamos sós, pois as histórias nos acompanham, elas nos fazem preenchidos e nos fazem também solidários, já que estamos sempre dividindo palavras, ouvindo e contando.
Foi essa a resposta que encontramos. Não sabemos se podemos chamar de resposta. Ela está cheia de perguntas nas entrelinhas. Enfim...o contador de histórias é aquele que cria, é aquele que empresta o corpo, a voz e a alma para dar vida a mais uma nova história.
O contador é aquele que preserva a história e não a deixa morrer.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Jim Dodge cria uma pequena e ótima fábula sobre ciclo da vida

JOCA REINERS TERRON
ESPECIAL PARA A FOLHA

"Fup" é aquele tipo de livro que pode mudar a vida de alguém. Para nossa imensa sorte não são poucos os livros que têm essa capacidade. Ocorre, porém, que com "Fup" as mudanças vêm mais rápidas, cerca de uma hora depois de iniciada a leitura. O livro é pequeno em volume, mas ocupa um gigantesco espaço no coração transformado dos leitores. É o que Marçal Aquino afirma no prefácio a essa oportuna nova edição. "Fup" é daqueles livros que "não estão no cânone. E não estão nem aí", diz, certamente atribuindo à novela de Jim Dodge algo daquela voltagem zen de certas obras artísticas dos anos 60, período em que filosofias orientais (acrescidas de outros temperos) espanaram parafusos de cabeças ocidentais em profusão. Publicado em 1983 pelo californiano Dodge (nascido em 1945), o livro está menos para "beat" tardio, entretanto, e mais próximo do surrealismo "hippie" de Jim Harrison, Richard Brautigan e Gary Snyder, com suas fábulas amorais e libertárias. Vovô Jake é um beberrão viciado em jogo e rabugento que ouve de um índio moribundo a receita de uísque que mudaria sua vida, ou melhor, que estenderia sua vida, já que ele confere ao "Velho Sussurro da Morte" o poder de tornar imortal quem o bebe. Trânsfuga da sociedade e de numerosos casamentos, Jake de repente vê-se obrigado a criar Miúdo, o neto órfão que não sabia ter. E é o que ele faz, comprando um rancho e levando o garoto para lá. Para compensar a dieta "insuportável" do bebê, Vovô Jake acrescenta algumas doses de seu estranho uísque à mamadeira do neto. Resultado: Miúdo torna-se um adulto de 1,92 m e 155 kg, obcecado em construir cercas. Assim segue a rotina rural dos dois até surgir Fup, uma pata gordíssima e desastrada que recusa-se a voar, e o Cerra-Dente, um porco-do-mato que diverte-se em destruir as cercas de Miúdo, tornando-se seu nêmesis. Em seu desenvolvimento circular entre os princípios de vida e de morte, "Fup" trata disso, de como estamos presos a esses ciclos com apenas início e fim definidos e todo o resto em aberto, prontinho para ser preenchido. Dodge criou uma história imprescindível, plena em ressonâncias poéticas e que em muito tem a ver com esses finais de anos em que tudo termina e ao mesmo tempo se renova. O que ele procura plantar é a idéia de que a vida é selvagem e assim deve permanecer. Ele resume no seguinte verso: "Evite morar em qualquer lugar onde não dê pra mijar da porta da frente".

JOCA REINERS TERRON é autor de "Sonho Interrompido por Guilhotina" (Casa da Palavra)
FUP Autor: Jim Dodge Tradução: Melanie Laterman Editora: José Olympio Quanto: R$ 22 (98 págs.)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Biblioteca Nacional da Venezuela - exposição Biblioteca nacional : Gestión en Revolución

La Biblioteca Nacional expone sus logros de los últimos tres años

EnOriente

12.12.2006
La apertura de 36 bibliotecas públicas en todo el país, el fortalecimiento de las ya creadas, la extensión de sus horarios de servicio, la incorporación de Infocentros e Infopuntos, el respaldo a las misiones, entre otros avances, formarán parte de la exposición “Biblioteca Nacional: Gestión en Revolución”
La Plataforma Red de Bibliotecas del Ministerio de la Cultura resumirá la multiplicidad de avances alcanzados por sus trabajadores y directivos, en el período 2003-2006 en la exposición “Biblioteca Nacional: Gestión en Revolución”, que será inaugurada este jueves 14 de diciembre de 2006 a las 11:00 a.m, en el vestíbulo de su sede, Cuerpo de Servicios, Nivel AP1 del Foro Libertador.
La muestra estará compuesta por una serie de fotografías, afiches, textos y cuadros estadísticos, que darán cuenta de lo logros obtenidos por las distintas colecciones y unidades administrativas de la BN en los últimos tres años, para el cumplimiento de su misión institucional y el beneficio de los usuarios de los servicios bibliotecarios, tanto del Foro Libertador como en el Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, enmarcado en la política de cogestión instaurada por el Prof. Arístides Medina Rubio desde su arribo a la Dirección General de la BN en el año 2003.
Entre los éxitos alcanzados resalta el Plan de Municipalización del Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, que con el respaldo de los gobiernos regionales ha alcanzado la apertura de 36 nuevas bibliotecas públicas en los siguientes estados: Carabobo 4, Aragua 3, Guárico 4, Mérida 5, Yaracuy 8, Anzoátegui 2, Monagas 3, Trujillo 3, Táchira 1, Dtto. Capital 1, Lara 1, Nueva Esparta 1 y Vargas 1. Destaca el fortalecimiento de 40 servicios bibliotecarios a través de reparaciones y mejoras de sus sedes, la ampliación del horario de atención a los fines de semana en otras 40 bibliotecas, la firma de convenio a través del FIDES y la Ley de Asignaciones Especiales para la recuperación y dotación de la Red Metropolitana de Bibliotecas Públicas.
El patrimonio documental de las distintas colecciones de la Biblioteca Nacional también ha experimentado una ampliación, con un crecimiento de 12,6 % (de 1999 hasta el 2006), aproximándose a un total de 7,5 millones piezas, que lo hacen el primer acopio bibliográfico y no bibliográfico del país. El número de obras consultadas ha sufrido un sostenido incremento, estimándose que sobrepasará largamente el millón de obras para el 2006. Algo similar ocurrió en este último renglón en el Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, que para el presente año alcanzará una cifra superior a los 4 millones y medio.
La incorporación de la BN y las bibliotecas públicas del país a las misiones impulsadas por el ejecutivo nacional, así como a las organizaciones comunitarias, es otro de los aspectos resaltantes de éstos últimos tres años. En este sentido, de 752 sedes que componen el Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, 546 dan apoyo directo a las misiones y organizaciones comunitarias, lo que equivale a un 73%. En los primeros 10 meses del año, 114 mil personas vinculadas a la Misión Ribas han sido atendidas en las bibliotecas, la Misión Robinson alcanza los 42 mil, la Misión Sucre sobrepasa los 46 mil, la Misión Barrio Adentro los 50 mil, la Misión Guaicaipuro 31 mil, la Misión Vuelvan Caras 9 mil, la Misión Ciencia los 25 mil, la Misión Cultura los 52 mil usuarios.

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Alcove 9: An Annotated List of Reference Websites


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domingo, dezembro 03, 2006

«La lectura ya no es una obligación social, es una empresa alternativa» Carlos Monsiváis - Escritor

JAVIER HERNÁNDEZ. ENVIADO ESPECIAL GUADALAJARA (MÉXICO).

Después de haber hablado, escuchado o leído lo que Jorge Herralde dice de Carlos Monsiváis (Ciudad de México, 1938), cuesta creer que este cronista excepcional de su país, escritor, crítico y ensayista sea un autor tan prolífico. Herralde lleva cinco años esperando un manuscrito de un autor que, sin embargo, tiene una bibliografía de lo más extensa en su país; una treintena de libros entre crónicas, antologías de poesía mexicana, fábulas y cuentos satíricos y perfiles de artistas, obras que le han valido varios premios nacionales. Pero en España sólo se ha publicado una obra, «Aires de Familia» (premio Anagrama de Ensayo 2005), gracias a la paciencia de Herralde (esperó más de veinte años a que le mandara un borrador), que, de todas maneras, lo califica de «fuera de serie». El reconocimiento al autor de «Los rituales del caos» (1995) ha venido este año de la mano de la Feria de Guadalajara, que le ha concedido su galardón más importante. ABC habló con él.
-¿Cómo ha transcurrido esta Feria del Libro, que mañana cierra sus puertas?
-Un éxito enorme en cuanto a influencia de jóvenes, de familia, de editores. No sé las cifras de ventas, pero se asentó como la más importante de Hispanoamérica. Los lectores están ahí, pero no en las cantidades que permitirían decir que México es un país de lectores.
-México y, en general, en todo el mundo. Lo han dicho varios premios Nobel esta semana, entre ellos la surafricana Nadine Gordimer, que está ocurriendo en su país, en Estados Unidos, Gran Bretaña, España...
-En Suráfrica, sí, pero en Estados Unidos, Inglaterra o España hay un sistema de bibliotecas públicas muy eficaz: compran los libros que van saliendo y los lectores con el sistema de préstamos, ahora muy agilizado por la red, tienen grandes posibilidades aún en un momento de culto a la imagen. En México la red de bibliotecas públicas es mínima y son centros para que los estudiantes hagan sus deberes. No tienen vocación de servicio al lector. La Universidad de Harvard (donde fue profesor), tiene más libros que todas las bibliotecas de México juntas.
-¿Qué papel juega la lectura hoy en día? ¿Ve el final del libro?
-No, y esto se prueba con la Feria. No veo ningún «Fahrenheit 451» en el porvenir, sí veo la idea de la lectura como una actividad minoritaria, prescindible en la mayoría de los casos y fuera de las metas familiares. Las familias no tienen la lectura como un propósito de integración interna. Tampoco es ya una causa social, que pudo haberlo sido hace un siglo, ni desde luego una obligación personal. Entró ya en el terreno de las opciones. La lectura es ya una empresa alternativa.
-¿Cómo ve la influencia de las múltiples ofertas de ocio en los libros?
-Las ofertas de ocio no tienen por qué influir. Cuando no las había, tampoco se leía en proporciones muy significativas, lo que pasa es que sí había la necesidad de mantener un mínimo de lecturas como forma de convivencia. Se leía lo que la moda o la necesidad ideológica o religiosa dictaba y eso ya creaba la impresión de la lectura como obligación social. Ahora lo que queda como obligación social pura es fragmentario, episódico y sujeto al azar, que es navegar por internet. Ahí sí se está leyendo mucho, pero ya es un nuevo tipo de lectura; ya no es la relación de una persona con un objeto, sino de una persona con su necesidad informativa, que va cruzándose con otras y que va creando en cada persona una red de intereses enorme o mínima. Se sigue leyendo en ese sentido, siguen descifrándose signos en esa página, pero lo que se ha perdido, insisto, irreparablemente, es la obligación social de la lectura.
-Puede que vayamos hacia una cultura de la violencia en la sociedad porque la gente no se preocupa por su formación cultural.
-Recuerdo un libro de Hanna Arendt, «Jerusalén o la banalidad del mal». En él esta autora alemana dice que los alemanes que había en los campos de concentración eran con frecuencia gente instruida, que gozaba de la música clásica. Eso no les impedía hacer atrocidades. Arendt concluye diciendo que, aunque la lectura es un proceso civilizatorio en el orden personal, tampoco es una garantía y que, en ese sentido, no hay que sacralizar tanto el proceso de leer. Todo depende, en primera instancia, de los estímulos que proporcionen los maestros, que en educación pública o privada en México siguen estando muy mal pagados. Incluso se ha dado el fenómeno de que los maestros no recomiendan libros porque ellos no leen.
-Eso es un grave problema.
-Se lee lo suficiente para mantener una industria editorial, pero no lo suficiente como para garantizar la presión para que existan bibliotecas públicas. El mejor ejemplo es que se inauguró hace unos meses una gran biblioteca en Ciudad de México, con costes millonarios y unos fondos de 250.000 ejemplares. Es el lugar donde van los estudiantes a hacer tareas escolares y nada más.
-Ha habido cierta percepción en la Feria de que hay una generación que parece despedirse. La editora Inge Feltrinelli dice que la literatura hispanoamericana tiene que volver a coger brío.
-Sí, es muy probable que haya una generación que esté en el inicio de una gira de despedida. Pero también se ve un nuevo referente generacional de excelente nivel que de momento no tiene reconocimiento. Está Santiago Roncagliolo. en Argentina; Alberto Fuguet, en Chile; en México, Juan Villoro, Jorge Volpi, Pedro Ángel Palou... Autores de excelente nivel que en otro momento habrían tenido una aceptación distinta, pero vienen envueltos ya en el fragor del mercado y eso es un ruido que contiende con el entusiasmo que levanten sus lecturas. De los 200 autores de esta edición de la FIL, ¿cuáles son los que tienen que ver con la literatura como tal y cúales con el deseo de aprovechar las luces que ahora caen sobre el mercado literario? García Márquez, Carlos Fuentes o Saramago surgen antes del mercado, pero su literatura no se consideró nunca como producto de ese mercado, que a veces tiende a sobrevalorar el libro como producto.
-Juan Rulfo también pertenece a ese grupo. ¿Qué piensa de lo que ha pasado en los últimos meses entre la viuda y los hijos de Rulfo y lo que pasó con Tomás Segovia el pasado año?
-Cuyo premio (antes Juan Rulfo y ahora FIL) me fue negado. Tomás hizo unas declaraciones que se leyeron mal. No tengo la cita textual, pero dijo algo así como que era un milagro que hubiera surgido Juan Rulfo. La familia entendió que Tomás dijo que Rulfo era una personalidad nula que, de pronto, fue iluminada por el espíritu para hacer esos grandes libros como «Pedro Páramo». Si la familia está en contra hay que respetar ese derecho. El proceso legal todavía continúa en los tribunales.
AP
Monsiváis, esta semana en Guadalajara junto a su bronce como ganador del Juan Rulfo
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quarta-feira, novembro 22, 2006

ARTIGO DO POVOA SEMANARIO (www.povoasemanario.pt)

atenção para a escrita portuguesa...
A importância de brincar a ler

A leitura é uma actividade bastante importante para a formação do ser humano. É essencial que este gosto se desenvolva nas crianças o mais cedo possível. Decorreu na Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim uma acção de formação, ao longo de dois dias, que teve como principal objectivo ensinar os adultos a atraírem os mais novos para este hábito saudável

A acção de formação "Portal para a descoberta – literatura para crianças e jovens" teve como propósito ensinar estratégias para incutir o gosto pela leitura na infância e aprofundar o conhecimento de autores e ilustradores nacionais e estrangeiros.
A sessão foi conduzida por Leonor Riscado, docente da Escola Superior de Educação de Coimbra, e inseriu-se no Programa de Itinerâncias Culturais, do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), dirigindo-se a professores do ensino básico, bibliotecários e animadores sócio-culturais, que têm em comum o facto de lidarem com crianças de diferentes faixas etárias.
Leonor Riscado afirmou, em entrevista ao Póvoa Semanário, que esta acção de formação é indispensável para os participantes, pois todos são "intermediários de um conjunto de informações sobre os livros" sendo os seus papéis essenciais para a "promoção da leitura junto das crianças".
A literatura infantil é destinada às crianças entre os dois e os dez anos de idade. Qualquer obra infantil precisa de ser fácil e compreensível para todas as crianças que a leiam, quer sozinhas, quer com a ajuda de uma pessoa mais velha.
A docente considera essencial que a criança seja estimulada para a leitura, pelo que todas as pessoas que a rodeiam, desde os familiares aos professores e educadores, devem "promover a utilização do livro desde a mais tenra infância", explicando que a "leitura infantil pode fazer-se de várias formas" com recurso ao tacto, à visão e ao paladar, daí que também se deva "promover o prazer de ler, antes de saber ler".
Os pequenos leitores gostam de ver imagens coloridas e começam a conhecer os autores e ilustradores. A pouco e pouco, começam a ganhar o gosto pela leitura e pelo som das palavras. O livro apresenta-se perante elas como uma "caixinha de surpresas" ou um "mapa de tesouros".
Leonor disse que o IPLB procura, a partir do plano nacional de leitura, "alertar os mediadores para a necessidade de conhecerem os livros e saberem avaliar a qualidade dos mesmos, nomeadamente em termos linguísticos, literários e estéticos" porque, completou a docente, o "livro é um objecto muito particular" e tanto pode ser "aliciante" como "perigoso, dependendo da forma como se escolhe e se utilize".
O adulto que tenta incutir nos mais novos o gosto pelos livros "tem de ser um leitor convicto", pois, como explicou a professora, a demonstração da "convicção à criança desperta nela a curiosidade" e aquilo que começa por ser "um brinquedo entre outros" revela-se "um brinquedo muito mais completo que os outros".
Para que esta iniciativa tenha sucesso, a especialista em educação aconselha aos pais e restantes intervenientes a "escolha de bons ilustradores", porque "a criança é particularmente observadora do pormenor" e toma nota da dedicação de mais tempo por parte dos pais e professores à arte de "contar histórias". Assim, adiantou Leonor Riscado, à parte destas acções destinadas aos profissionais de ensino básico, escolas superiores de educação promovem iniciativas deste tipo para os pais.

Angélica Santos

terça-feira, novembro 21, 2006

A Biblioteca Escolar = Tecnologia da Emoção

Graça Maria Fragoso

A história da biblioteca sempre esteve relacionada com a magia e o mistério. No livro de Umberto Eco, O nome da rosa, as páginas envenenadas da obra Poética, de Aristóteles, conduzem à morte diversos monges curiosos. Assim, o ambiente onde se lê permanece ligado ao labirinto. Descobrir como chegar ao livro, tirando-lhe a venda enigmática da morte constitui a essência do próprio espaço "biblioteca".
Jorge Luis Borges cria um hexaedro e coloca os livros nesse lugar, cujos prismas equivalem à possibilidade múltipla das leituras. Também para Borges, a biblioteca possui em si a potencialidade do mágico. Em algum lugar dessa fabulosa arquitetura, existe uma porção diabolicamente divina ou uma chave que abre a porta do prazer.
A partir dessas considerações literárias, inicia-se uma discussão interessante em torno da paixão e da técnica, incorporada à biblioteca. Esses, recintos, tão trabalhado pelos magos escritores, não costuma ser bem compreendido pelos elementos que nele atuam. Entrando na sala, vemos um funcionário debruçado sobre a poeira do tempo, sem conseguir retirar dela o fascínio secular.
Empregado sem vocação, esse falso bibliotecário é o simulacro do mago, a imitação do poder que poderia emanar de suas faces pálidas. Às vezes, somente as sombras das personagens circulam por ali, solicitando em silêncio o favor de um toque, algo que lhes dê vida e as transforme em seres. Entretanto, o livro que deveria andar de mão em mão jaz sobre as mesas ou nas prateleiras, incapaz de reavivar a chama de sua confecção. Ficam mortos o autor, a obra, o leitor , a biblioteca. Túmulos de almas, cemitérios da criatividade. A história não acontece e o real permanece duro, porque duro é o olhar sem o gozo da leitura.
Suponhamos que, certo dia, penetre na escuridão um leitor destemido. Um leitor quixotesco, desses que não temem moinhos, nem a tentação das sereias. Galopando no Rocinante, de repente o leitor passa ao limite de uma outra leitura (um livro que esteja lendo) e encaminha-se vertiginosamente para o interior da biblioteca. "Quem é você, intruso?" interroga-lhe o morcego guardião. "A que vem e por que quer retirar os sete véus que ocultam o saber? "Venho conhecer o segredo de nunca haver segredos. Venho libertar você e o mundo de todas as prisões. Deixe-me entrar nessa sala e descobrirei a máquina do mundo que os escritores descrevem. Depois de lhe mostrar um pouco da fantasia, poderemos viver uma existência muito mais feliz. Entre o livro e nos, a ilusão se instaurará e diminuirá a força do absoluto. A verdade em mil lendas e letras".
Suponhamos que esse leitor consiga romper as barreiras da velha biblioteca e leia. "Será uma vez em que o morcego voará num canto e a biblioteca será povoada por fadas e duendes e crianças pequenas e velhos de longas barbas".
Depois, quando um ancião recontar essa história, haverá um marciano que chega do futuro. Todos verão descer um disco sobre a sala, mudando o clima do ambiente austero. O astronauta trará do espaço os discos eletrônicos.Mil fitas de acetato com casos de cristal. A um toque de dedos, instalará as TVs e o computador do ano imaginável. A um canto, um bebê de fraldas e de chupeta acionará a impressora e imprimirá o seu próprio texto.
O que faz desse sonho um conto encantador? É a paixão em todos os leitores. A tecnologia, acoplada ao sentimento, faz coisas do outro mundo na biblioteca. E porque há sentimento, não há mais preconceitos. O jovem e o velhinho convivem nessas páginas de um livro que pensamos escrever. Convivem juntamente o cão o gato e o rato, saídos de um video-game .Alice, de súbito irrompe, correndo entre as estantes. Não se sabe o que é livro e o que é o imaginário. Escritores /leitores, leitores/ escritores inventam o país no jogo do contente.
Isso é a biblioteca e seus deslumbramentos! Personagens e gente, sem nenhuma diferença, misturando o concreto e o abstrato, a rosa perfumada ao contorno do lápis. Plena de rebuliço e vozes, sem avisos nem proibições, essa biblioteca também é sem paredes. Capta energias, estrelas telepáticas pelo fio do telefone. Merlim manda dizer na tela de um monitor que o rei Arthur venceu a guerra e está para chegar. "Quem sabe da notícia?" -pergunta o camundongo. E uma menina diz:- "Foi um disquete anônimo."
Quão distante ainda estamos da biblioteca, como muitos a têm imaginado! Geralmente silenciosas e cheias de bilhetes: Não converse. Ponha os livros no lugar. Não deixe suas marcas nas folhas. Psiu...Psiu...Psiuuu.
Essas tristes salinhas de ler mastigam o mistério e o engolem num instante. No estômago de mentira desses preguiçosos, há uma moça gentil, vestida de cetins, ansiosa por buscar a alegria, lá fora. No ventre desses monstros que fingem algum sonho, há um monte de estudantes bem comportados. No frio do salão, há vários professores. Querem tirar xerox da face da princesa. Querem copiar um trecho de comédia, para passar no quadro ou dar um longo ditado. Querem destacar um parágrafo das fadas, a fim de macaquear a sintaxe lusíada. E ensinam a gramática com verso de Virgílio. Vendilhões do templo!
Na viagem de Pinóquio, também ele foi engolido por uma dessas baleias, Gepetto pôs fogo na sua barriga e a explodiu, enchendo o ar de fumaça. Felizmente, a fada madrinha de Pinóquio era moça moderninha percebeu, via Telex , o perigo do afilhado e , no fim , deu tudo certo. A casa de Gepetto juntou a tecnologia e o afeto, vendendo cucos muito futurólogos. Por que também não incorporamos à biblioteca essas fadas prodigiosas, derivadas das telinhas?
Antigamente - vamos a outra história - havia muitas bruxas, vampiros incontáveis. Havia demoníacos filhos da noite e esqueletos que vinham perturbar o sono. Todo o mundo , no caso, sofria muitos medos. Nossas vovós não dormiam, com o ruído das correntes. As almas penadas resvalavam pelos berços e levavam para o limbo os doentinhos. Assombrações, ah, quantos elementos! Fugiam do abismo e pulavam paras as sombras.
Dizem até que os lampiões se apagavam e as ruas assopravam o bafo das feiticeira. Oh, tempo pavoroso, oh, tempo sem saída! Esta história tem happy end. Numa cidade muito além daqui, morava um moço que era um príncipe no estudo. Passava as noites todas lendo e se informando, para um dia, derrotar a noite. O nome desse jovem? Era Thomas Edson e ele inventou a luz elétrica. E aí, adeus, monstruosos entes do outro mundo, que vinham roubar almas de meninos! Nunca mais as vovós se assombrariam e nossos pais poderiam ler até o Edgar Alan Poe, sem fazer xixi na cama. Hoje, livres dos monstros horrendos da escuridão, podemos correr pelas ruas sob holofotes, dançar nas pistas em plena meia-noite. Vemos o sol nascer, duvidoso do que vê : a tecnologia não é só o tema da história. É a realidade com que agora convivemos.
Um simples movimento de olhos e percebemos o progresso: luzes faíscam nas avenidas; botões aceleram a multiplicação das imagens; corpos energéticos se intercomunicam, criando novos conceitos de ciência, descobrindo campos gravitacionais. Parece-nos que, de uns tempos para cá, as nações vêm caminhando para a era aquariana e já sentimos no ar os cheiros da fraternidade. Dentro em pouco, a tecnologia se aperceberá de que deve se juntar à paixão, visando à paz dos homens.
Talvez em tudo o que falamos perpasse o fio da criatividade, transformando até as palavras em varas de condão. Se a filosofia se reúne à técnica ; se não existe mais distinção de gênero literário? Se a física é tão mágica quanto as ficções, como pode a biblioteca ficar alheia a tudo, permanecer estagnada e distante da transformação? Como pode a biblioteca ficar abandonada aos falsos leitores que mumificam a letra? Como podem os professores fechar a leitura em pedagogias que se prendem às ideologias mantenedoras do poder? É hora de romper com a dominação sobre os olhos e permitir ao leitor enxergar o que quiser.
E seria possível ao bibliotecária promover a produção de textos, incentivando o leitor a recriar o que vive? Sim, através da incorporação dos meios de comunicação, no recinto da biblioteca. Computadores, fitas magnéticas, filmes, video-games, CD-ROM tudo é objeto de leitura a descortinar os planos da fantasia.
Mas, uma vez presentes esses recursos eletrônicos, é necessário cuidar das mãos que irão manipulá-los. Sobre o teclado de um computador, deve tocar a seda , o carinho da fada que pensa em seu Pinóquio. Sobre o programador de um filme, deve debruçar-se um coração e transmitir à tela o calor do tique-taque. Biblioteca com vida, falada "Biloteca" que cruzam prateleiras e pedem para subir nas torres de papel. Paixão e técnica, ligação perfeita para que se inicie o século de amor.
Não pode, portanto, a biblioteca estar longe do mistério. Dos dramas . Das comédias. Das tragédias. Não pode estar longe do progresso, que se mistura às fábulas, pelo milagre da ciência. Vivemos tantos milagres , fáceis de se acionar com os dedos, que nem percebemos sua importância. E a biblioteca, por mais que o desejamos, continua parada, sem buscar o progresso. As favelas estão, esperando por projetos. Estamos tentando subir o morro e deixar o livro falar a linguagem dos pobres e carentes. Trazemos os alunos para a biblioteca e criamos uma biblioteca dentro da outra, como há livros dentro de livros. Nessa experiência, o aluno cria por um tempo que pode ser eterno na biblioteca. Por uma sala onde entramos todas as manhãs, passam gênios inventando a luz do dia, escritores fazendo outras bibliotecas.
Os bibliotecários, somos bruxos e fadas, motivos até de lendas escolares. Lutamos por tirar da sala os burladores, aqueles que pertubam o ato da leitura.(Ah, esses educadores xeroquistas).Nosso trabalho é árduo, porque temos por missão fazer o trânsito entre leitores e os livros. Cabe-nos a tarefa miraculosa de tornar realidade as ficções, de tornar ficções as realidades. No ambiente sem fim por onde andamos, não há pouco de nada, nem economia da fé de bem servir. As emoções da leitura, é claro.

Referências Bibliográficas
BORGES, Jorge Luis .Ficções .A biblioteca de Babel.
CERVANTES, Miguel de .D.Quixote. Paris : Rouge et or , 1968
CÂNFORA , Lucino . A biblioteca desaparecia. São Paulo : Companhia das Letras, 1980. 195p
ECO , Umberto . O nome da Rosa.
LOBATO , Monteiro . Fábulas . São Paulo: Brasiliense, 1973

* Graça Maria Fragoso é bibliotecária Coordenadora da biblioteca do Colégio Santa Dorotéia, diretora da biblioteca do Colégio Edna Roriz, e Consultora da TV Futura.

Este artigo foi publicado na revista Presença Pedagógica. v.2, n.9, Mai/Jun 1996, p.52-57.

domingo, novembro 12, 2006

Incentivando a leitura...

Nas páginas de jornais, revistas e livros, os funcionários do Supermercado Querência, na cidade de Erechim (RS), redescobrem o gosto pela leitura. É o programa Gôndola Cultural que transforma a informação num bem comum aos 45 funcionários da pequena empresa. Segundo a gerente Silvânia Fávero o que torna o acesso a informação ainda mais valiosa é o fato de que muitos funcionários não estudam mais. A empresa tem um gasto mensal de cerca de R$ 250 com a assinatura dos quatro jornais da cidade, além de revistas e livros de temas variados como: auto-ajuda, poesia, romance, e espiritual. "Eles levam pra casa o material e ficam com ele os dias necessários. O que a gente esta buscando é o incentivo pela vivência que eles têm nos livros. Eles conseguem melhorar a qualidade de vida tanto profissional como pessoal", acredita Silvânia

quarta-feira, novembro 01, 2006

Muitos herdeiros, fortuna pouca



Rodrigo Manzano e Peter Fussy

Em 2 de julho de 1948, Monteiro Lobato concedia sua mais conhecida entrevista à Rádio Record. Entre irônico e um tanto reticente, Lobato lamentava apenas um fato de sua atribulada vida: "as crianças me condenam por uma coisa: que eu escrevi pouco para elas, que poderia ter escrito muito mais. Eu creio que sim. Perdi tempo escrevendo para gente grande, que é uma coisa que não vale a pena." Dois dias depois, Lobato morria de um derrame e essa sua fala derradeira, como se tivesse sido um testamento, deixou como herança um legado a quem o sucedesse - investir o próprio espírito, assim como ele o havia feito, na literatura infantil.
Passados quase 60 anos, são muitos os herdeiros de Lobato. Não há quem não o reconheça como o ancestral mais importante da produção de livros para crianças. Patriarca, influência, desbravador. A herança de Monteiro Lobato, por um lado, amplificou-se. Por outro, parece ter-se pulverizado no mercado editorial de livros infantis, cada vez mais rentável, mais produtivo e mais competitivo.
No tempo de Lobato, havia ele mesmo e uns tantos outros autores de literatura infanto-juvenil. Hoje, os livros proliferam nas prateleiras das livrarias, assim como escritores de obras para crianças. Guto Lins é um autor dessa geração pós-lobatiana, herdeiro e continuador de seu trabalho. Escreveu quase duas dezenas de livros infantis, ilustrou tantos outros e é reconhecido como um dos designers gráficos mais competentes do segmento - autor do livro Literatura infantil? - Projeto gráfico, metodologia, subjetividade, lançado em 2002 pela Editora Rosari - e professor de Design para Literatura Infantil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Lins avalia o crescimento das demandas por livros dedicados às crianças a partir de três causas, bastante contemporâneas: o reconhecimento da criança como público-alvo do mercado da cultura, o desenvolvimento do parque gráfico brasileiro e a revisão pedagógica do papel da leitura e da própria criança. "A leitura do que seja uma criança também evoluiu muito nas últimas décadas. E o mercado editorial acompanhou essa evolução", afirma Guto Lins.
De fato, entre algumas oscilações, as editoras brasileiras encontraram no segmento infantil um mercado bastante lucrativo. Em alguns casos, a operação de todos os outros lançamentos é financiada pelo lucro dos livros dedicados às crianças. Dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) indicam que, entre 1994 e 2005, a média de livros infanto-juvenis lançados anualmente foi de 8,2 mil títulos e 44,6 milhões de exemplares. Em 1998, o número de títulos chegou a 14.500 e o pico de impressão aconteceu em 2002, quando as editoras despejaram 85,8 milhões de exemplares para consumo.
"A gente só entende a solidariedade se conhece a crueldade. Acho que é possível discutir com crianças assuntos que, talvez, para os adultos sejam polêmicos demais." Fernando Bonassi, autor

A euforia evidente esconde, no entanto, aspectos pouco discutidos no mercado de livros infantis: onde estão os autores, quem são e qual é a interface entre esse mercado e uma literatura que seja, de fato, articulada com os princípios estéticos e artísticos. A crítica literária Nelly Novaes Coelho, especializada em literatura infanto-juvenil, afirma que essa questão é central no debate sobre a função e qualidade desse gênero, atualmente. Professora da Universidade de São Paulo (USP) e autora do Dicionário crítico de literatura infantil / juvenil brasileira (Edusp), Nelly lembra que "toda criação literária, para chegar ao leitor, precisa transformar-se em produto comercial. E, como produto, todos parecem iguais", ressaltando que cabe às "grandes e sérias" editoras estabelecer critérios honestos de publicação. Ela ressalta que os livros infantis devem apresentar as questões mais prementes do homem na pós-modernidade: "Quem sou eu? O que estou fazendo no mundo? Qual a minha tarefa? Quem é o outro?", entre tantos questionamentos. No entanto, nem sempre isso é alcançado pela atual produção, critica a professora. "Nem tudo que existe caudalosamente no mercado editorial é literatura autêntica", afirma a professora ao recordar de um período de ouro da literatura infantil no país, entre os anos de 1970 e 80, quando viu surgir nomes da envergadura de Ruth Rocha, Mary e Eliardo França, Mirna Pinsky, Gian Calvi, Ruth Rocha e Ana Maria Machado, ícones de uma geração de autores dedicados à literatura infantil. "Naquele momento, a literatura acertou o passo com o mundo em transformação à sua volta. Surgiu uma literatura autêntica, sintonizada com as interrogações atuais, ainda em aberto", relembra Nelly.
Uma das integrantes daquela geração, Eva Furnari - ganhadora do prêmio Jabuti de Melhor Ilustração e da terceira colocação na categoria Livro Infanto-Juvenil, nesse ano, com o livro Cacoete (Ática) - começou a escrever e produzir livros infantis ainda na década de 1970 e já nos anos de 1980 era reconhecida como portadora de um discurso novo no gênero. Eva Furnari entende que, apesar do espantoso crescimento desse mercado, o livro infantil deve comportar-se como "um espaço de reflexão, no qual se condensa e transmite certas mensagens da experiência humana, não como um conselho didático, mas como reflexões sobre nossos conflitos e questões" e que a falta de qualidade em alguns títulos atualmente disponíveis se dá pela "especialização e desenvolvimento da sociedade de consumo", quando se descobriu "a criança como uma grande fatia do mercado consumidor, onde estão inseridos os livros". "É importante oferecer à criança um produto de mais qualidade estética, menos estereotipada", recomenda.
Contemporânea de Eva e igualmente premiada, Ana Maria Machado, em palestra do 2º Encontro de Formação de Leitores e Literatura Infantil, realizado em São Paulo nos dias 1 e 2 de setembro, afirmou que muito da discussão sobre a leitura se concentra na sua importância, e em uma espécie de utilitarismo dessa experiência. "A literatura é um passeio, não uma expedição comercial interessada em obter vantagens, cuja importância possa ser medida em termos utilitários para o consumo", criticou Ana Maria.

"A criança, hoje, tem um acesso restrito à arte. E o livro infantil é uma possibilidade de acesso a essa introdução artística. Os bons livros, naturalmente."
Eva Furnari, autora e ilustradora
Além de terem se transformado em objetos de consumo, os livros infantis são, ainda, eficientes ferramentas ideológicas, de educação - no bom e no mal sentido - das crianças. A essa expectativa, a de que a literatura serve para ensinar conteúdos morais, soma-se um componente que interfere diretamente no ofício do autor: muito mais que um inventor, torna-se reprodutor de um discurso que se afasta da função libertadora da literatura. "Acho insuportável essa produção de coisas edificantes. Justamente porque afasta o leitor, ele não se identifica com tanta retidão", critica Fernando Bonassi, autor de O pequeno fascista (CosacNaify), entre outros. Este livro provocou uma positiva ressonância quando foi lançado, justamente porque seu protagonista, um menino que dá nome ao livro, é o oposto daquilo que se espera das personagens da literatura dedicada às crianças. "É preciso defender a liberdade antes de defender a retidão. As pessoas precisam escolher o que é bom e não serem forçadas a escolher. A experiência da vida é muito dura. As crianças já sabem disso. Parece que só as editoras não sabem", explica Bonassi, ao justificar os temas e a abordagem de sua literatura, uma exceção entre a produção de seus colegas autores.
O critério, muitas vezes, não é mais o estético. Há, além do mercado, uma outra força de influência na produção: o governo federal, maior comprador de livros infanto-juvenis no Brasil. "O governo tem uma influência muito forte", avalia a autora e ilustradora pernambucana Rosinha Campos, "se por um lado a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) é fundamental porque orientou alguns princípios, por outro, a lei está dirigindo a produção da literatura infantil a partir desses mesmos princípios". Essa influência do governo não existe à toa: os números revelam que o investimento público na compra de livros para crianças e adolescentes, entre os anos de 1998 e 2005, ultrapassa os R$ 273 milhões. Algumas editoras de livros didáticos e paradidáticos sobrevivem exclusivamente do investimento público. Esta estrutura alterou o paradigma da produção: "Antes, os autores eram senhores do que seria publicado; hoje, o autor foi substituído pelas editoras. É como se ele tivesse perdido a força", lamenta Rosinha, que também atua na formação de novos leitores, atendendo a demanda de professores que desejam inserir a literatura no seu cotidiano escolar. "Uma hora esse mercado vai explodir, porque não há leitores para tantos títulos", prevê Rosinha.
Discípulos de Lobato duelam na arena editorial. São muitos herdeiros para pouca fortuna.

domingo, outubro 22, 2006

SOBRE O BIBLIOTECÁRIO


Lucília Maria Sousa Romão

Um rápido olhar sobre a história da escrita e das bibliotecas é capaz de revelar a dimensão do passeio humano pelos caminhos de expressão, da tentativa de guarda e estocagem da memória. Mobilizando barro, cera, papiros, pedra, metal e couro animal, uma trilha de interpretações foi percorrida em suportes diversos, sinalizando a ilusão de que o tempo e o espaço poderiam ficar ali encapsulados. Deriva daí a superfície de um imaginário de suposto prestígio, dessa tarefa de preservar pensamentos para além do tempo de vida de seus atores e protagonistas. O investimento humano na construção desses espaços é determinado por relações sociais, em que os lugares de posse eram reservados a determinados círculos, fechados e dominantes, posto que não eram todos que dispunham de autorização e poder para adentrar o mundo dos livros e dos acervos. A base de sustentação de tais círculos só pode ser compreendida na distribuição desigual de saberes e poderes. Apenas alguns eleitos debruçavam-se sobre os materiais guardados, assim, a marca de pertencimento a determinado grupo ou classe social era a senha para o acesso ao espaço físico e imaginário da leitura. A biblioteca, local já falado no Egito como: "O tesouro dos remédios da alma", não se apresentava aberta aos escravos, plebeus e analfabetos; também não guardava todo e qualquer documento. Algumas obras eram "escolhidas", pelo bibliotecário, para ocupar espaço nas estantes, institucionalizando, assim, a importância delas, ao mesmo tempo em que se excluíam outras obras, tidas como indesejáveis e, assim, merecedoras de um apagamento. Pergunta-se: qual processo político define tal tarefa de selecionar? Como relações sócio-históricas estabelecem esse movimento de dar visibilidade a certos livros e não a outros? O que leva o profissional a identificar o lugar exato dos livros, tratando-os como importantes e merecedores de crédito, prontos a deitarem-se sob estantes das bibliotecas e integrarem acervos, enquanto outros livros são considerados menos valiosos? Tais questões sinalizam o processo sócio-histórico de saberes e poderes, que define o que pode e/ou deve ser guardado; o que merece persistir como vestígios do tempo para as gerações vindouras e quais escritos que devem ser destinados ao lodo do esquecimento. Esse movimento basculante de guardar (e esquecer) livros constitui um exercício reflexivo que vai bem além do trabalho técnico de catalogar, indexar e afixar códigos e organizar acervos, visto que reclama a compreensão o que está nas bordas desse fazer, isto é, a interpretação de processos e não apenas de produtos. Exige também que, além de olhar, ler e conferir o que está escrito nas lombadas dos livros, eles sejam abertos e vasculhados em suas reentrâncias, opacidades e deslimites. Entretanto, o mais recorrente é o esquecimento desses fazeres e o aprisionamento do bibliotecário à tarefa de manter a ordem, resguardar o silêncio, conferir entradas e saídas, domesticar o uso e assumir o lugar de bedel das obras, enfim, um guarda a garantir a guarda do acervo. Há indícios de que, nos últimos vinte anos, vários profissionais têm buscado assumir novos sentidos, deslocando-se dessa posição e enunciando de outra forma, embora tais mudanças ainda sejam tímidas.
Lucília Maria Sousa Romão é professora da USP (Universidade de São Paulo), campus de Ribeirão Preto
(Fonte: Jornal Gazeta de Ribeirão Preto)
Un país a libro abierto, por la magia y el placer de la lectura


Un país a libro abierto formaron ayer más de 1.800.000 chicos, jóvenes y adultos que participaron de la IV Maratón Nacional de Lectura para revalorizar el hábito de leer por placer. Así, por iniciativa de la Fundación Leer, miles de escuelas, plazas, centros culturales, clubes y sociedades de fomento de distintas regiones del país se convirtieron en bibliotecas públicas y rincones de lectura, en los que chicos y grandes compartieron cuentos, dramatizaciones, obras de títeres y campamentos de lectura, entre varias propuestas creativas.
"Hay que leer porque así uno puede llegar a ser ingeniero", comentó Franco Redondo, muy seguro de sí, junto a sus compañeros de 7° grado de la Escuela Julio Le Parc, en el barrio Eva Perón, de Mendoza.
Franco tiene una lanza en la mano y luce un chaleco de goma eva que emula la armadura de Don Quijote, porque en cuanto termine de conversar con LA NACION subirá al escenario para representar el episodio de los molinos de viento cervantinos. Su compañero Emiliano Ormeño, que asumirá el papel de Sancho Panza, acota: "Un libro entretiene más que estar en la calle sin hacer nada".
Rocío Suárez, de 14 años, comentó orgullosa haber leído este año Platero y yo , Mi planta de naranja lima , El principito , Corazonada y varios libros de poesías. "Me gusta leer en la cama antes de dormirme. Lo prefiero antes que ver televisión", señaló Rocío, que cursa séptimo grado.
Su compañera, Cecilia Mogro, niega que leer sea aburrido, mientras que Susana Ibaceta se muestra admirada por El diario de Ana Frank . "Me impresionó esa mujer cómo soportó tanta maldad", aseguró.
La alegría y el entusiasmo se repitió en Córdoba, donde grupos de abuelos narraron historias a los niños, y en Resistencia, Posadas, Jujuy, Santa Fe, Nogoyá, San Juan, San Antonio de Areco y Río Gallegos, entre otras ciudades. En la Base Esperanza de la Antártida, chicos y grandes disfrutaron de un café literario.
En Ushuaia, la fiesta de la lectura se vivió al aire libre, en las escuelas y por la calle. Malvina tiene 10 años y leyó Agustina y cada cosa , de Santiago Kovadloff en el aula de la escuela 15; Santiago, de 9 años, dio vuelta a la última página de Pido Gancho , de Estela Smania, y Lucas recitó en voz alta algunos "chinventos" de Silvia Schujer, en una plaza.
Al ritmo de redoblantes y tambores, los estudiantes de la Escuela Domingo Faustino Sarmiento, las más antigua de Ushuaia, montaron una "batucada literaria" por la calle San Martín, la arteria comercial del centro de la ciudad, y repartieron a los peatones pequeños volantes con títulos de libros y frases de las obras "que más nos llamaron la atención", contó Laura, entusiasmada, enfundada en un guardapolvos blanco.
Campamento de libros
La Escuela Proyecto Sur, de Ezeiza reunió a sus alumnos, desde jardín de infantes hasta sexto grado, en un campamento dedicado a la lectura. Los más grandes llegaron al camping el día anterior y, tras armar sus carpas, prendieron un fogón al atardecer y recibieron la noche leyendo textos de Eduardo Galeano.
Ayer, los docentes convocaron a los chicos alrededor de una gran caja. Allí estaban guardados los libros que los papás habían preparado como regalo para sus hijos. "Me gustó el de Lucas, que es de unos monstruos. El mío es de un príncipe y es aburrido", contó Santiago, de cinco años. Violeta, de la misma edad, se acercó a su compañero y, mientras acomodaba su mochila, dijo: "Mi libro cuenta la historia de un dragón". A pocos metros, Luca, de cinco, sentado en el césped y muy concentrado, pasaba las hojas del atlas de ciencias que había recibido.
Al finalizar la jornada, los alumnos desarmaron el campamento y guardaron sus cosas en las mochilas, pero algunas quedaron perdidas. Entonces, un docente las reunió y ante la mirada atenta de los chicos preguntaba por cada elemento para encontrar a su dueño. Al final, consultó: "¿Hay algún libro perdido?". Y la respuesta de todos fue contundente: "No".
Nueve años de estímulo
Constituida en 1997, la Fundación Leer ( www.leer.org.ar ) es una organización sin fines de lucro, dedicada a incentivar la lectura y promover la alfabetización de niños y jóvenes. Desde su creación viene desarrollando 24 programas en todo el país, que acercaron el libro a más de 500.000 chicos, entre los que se destacan las experiencias "Preparados para la escuela", con la que se busca generar un entorno alfabetizador entre los chicos de 2 a 5 años, y "Paso a paso", dirigido a fortalecer el desempeño escolar. En las anteriores ediciones de la Maratón de Lectura participaron 1.725.000 chicos y jóvenes. (La Nación)

domingo, outubro 15, 2006

Universidades botam teses na internet

A Uerj criou uma biblioteca digital de teses e dissertações. Bem pequena por enquanto, só com 37 documentos. Mas o objetivo é passar a inserir lá todos textos que foram defendidos na universidade. Todos, ou quase todos, na íntegra. Quem dirige o projeto é a Rosângela Aguiar Salles. Ela me explicou que ele é parte de uma iniciativa maior, coordenada pelo IBCT, um órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, da qual já fazem parte várias universidades brasileiras. No site do IBCT, vi que universidades como a Unicamp, a USP e a Puc-Rio já têm milhares de teses arquivadas online. É chegar e ler. "São teses que são financiadas com dinheiro público", diz a Rosângela. "A idéia é dar um retorno à sociedade". Teses e dissertações em geral ficam esquecidas nas bibliotecas universitárias ou são publicadas em pequenas edições que ninguém lê. Ainda que parte da produção acadêmica seja chata ou desinteressante, é óbvio que as universidades produzem também muitas coisas de valor. É uma boa idéia facilitar o acesso a elas.